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Hoje, quem utiliza mais de 15% do limite do cheque especial por 30 dias seguidos recebe uma oferta de parcelamento

Os consumidores que usaram o cheque especial ou caíram no rotativo do cartão de crédito pagaram juros mais caros em fevereiro. O primeiro subiu 2,3 pontos percentuais em relação a janeiro, chegando a 317,9% ao ano; o segundo, por sua vez, saltou de 286,9% para 295,5%. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (27) pelo Banco Central (BC).

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As regras para o  cheque especial  foram alteradas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em julho do ano passado. Os clientes que utilizam mais de 15% do limite do cheque durante 30 dias consecutivos passaram a receber uma oferta de parcelamento, com taxa de juros menores que a do cheque especial definida pela instituição financeira.

A taxa do rotativo do cartão, por sua vez, corresponde a uma média calculada pelo BC, que se baseia nos dados de consumidores adimplentes e inadimplentes. Para os primeiros, que pagam pelo menos o valor mínimo da fatura em dia, a taxa chegou a 274,8% ao ano em fevereiro, um aumento de 11,7 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Já os juros cobrados aos inadimplentes subiu 8 pontos percentuais, indo para 310,9%.

Em abril de 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu que clientes inadimplentes no rotativo do  cartão de crédito  passem a pagar a mesma taxa de juros dos consumidores regulares. Essa regra entrou em vigor dois meses depois, em junho. Mesmo assim, a taxa final cobrada de adimplentes e inadimplentes não é igual porque os bancos podem acrescentar à cobrança os juros pelo atraso e multa.

É furada?

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Não vale a pena: as taxas do cheque especial e do rotativo do cartão são as mais caras entre as oferecidas pelos bancos

As taxas do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito são as mais caras entre as modalidades oferecidas pelos bancos. A do crédito pessoal, por exemplo, é mais baixa e chegou 122,5% ao ano em fevereiro, mesmo com alta de 6,2 pontos percentuais na comparação com o mês anterior.

Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, a alta do crédito pessoal é justificada pela maior liberação de crédito por bancos que cobram taxas mais altas do que por aqueles com juros menores. “As concessões que foram realizadas por instituições que têm taxas mais baixas foram menores. E aí preponderam as instituições com taxas maiores”, explicou.

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A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) ficou em 24,2% ao ano pelo terceiro mês consecutivo. A taxa média de juros para as famílias subiu 0,8 ponto percentual, para 52,2% ao ano, enquanto o valor médio cobrado às empresas caiu 0,5 ponto percentual, atingindo 19,7% ao ano.

Inadimplência

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No caso do crédito direcionado, os juros para as pessoas físicas caíram 0,5 ponto percentual, chegando a 7,5% ao ano

A inadimplência do crédito, considerados apenas os atrasos acima de 90 dias e para pessoas físicas, ficou em 4,7% no mês passado, valor ligeiramente menor (0,1 ponto) do que o registrado em janeiro. A mesma queda foi anotada para pessoas jurídicas, cujo percentual de inadimplência chegou a 2,8%. Os dados correspondem ao crédito livre, modalidade em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado.

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No caso do crédito direcionado, relativo a empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural e de infraestrutura, os juros para as pessoas físicas caíram 0,5 ponto percentual, indo a 7,5% ao ano. A taxa cobrada das empresas subiu 0,1 ponto, para 10% ao ano. A  inadimplência  das pessoas físicas ficou estável em 1,7% e a das empresas chegou a 1,8%, queda de 0,1 ponto em relação a janeiro.


*Com informações da Agência Brasil

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