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Nos três meses encerrados em janeiro, a leve alta de 0,9% registrada na taxa de ocupação se deve principalmente à criação de vagas sem carteira assinada

No trimestre encerrado em janeiro, a criação de vagas informais foi responsável pelo aumento da taxa de ocupação no País
Tânia Rêgo/Agência Brasil
No trimestre encerrado em janeiro, a criação de vagas informais foi responsável pelo aumento da taxa de ocupação no País

No trimestre encerrado em janeiro, a criação de vagas de trabalho informais (sem carteira assinada) foi a maior responsável pelo aumento da taxa de ocupação no País, enquanto o ritmo de criação de novas vagas formais perdeu fôlego nos últimos meses. Os dados fazem parte de um estudo divulgado hoje (20) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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Para chegar a essa conclusão, o Ipea fez uma análise dos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No início de 2018, de acordo com os números, a taxa de ocupação no Brasil crescia a 2% na comparação com o ano anterior. No trimestre encerrado em janeiro deste ano, porém, a alta foi de 0,9%, e aconteceu principalmente nos setores informais da economia.

Apesar de a criação de vagas sem carteira assinada puxar o crescimento da taxa de ocupação, o Ipea avalia que a desaceleração – de 2% para 0,9% – se deve à perda de intensidade no crescimento dessas vagas informais. No início de 2018, a criação de novos postos de trabalho sem carteira assinada foi de 7,3%; no trimestre encerrado em janeiro de 2019, de apenas 3%.

Nos três meses encerrados em janeiro, a variação do nível de criação vagas formais foi de -0,4%, resultado que se repetiu no trimestre anterior (agosto, setembro e outubro de 2018). O saldo negativo dos empregos com carteira assinada vem perdendo força desde o segundo trimestre de 2016, quando o resultado chegou a -3,6%.

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"Em suma, os dados da Pnad Contínua indicam que o emprego formal vinha apontando uma trajetória de retrações cada vez menores e de taxas de permanência cada vez maiores até meados de 2018. A partir daí, há uma estagnação nesses indicadores", analisam os economistas do Ipea.

Recortes sociais

Entre os jovens de 18 a 24 anos, a situação é ainda pior: a taxa de ocupação caiu 1,3% nos três meses encerrados em janeiro
Divulgação
Entre os jovens de 18 a 24 anos, a situação é ainda pior: a taxa de ocupação caiu 1,3% nos três meses encerrados em janeiro

Enquanto a taxa de ocupação geral subiu 0,9% nos três meses encerrados em janeiro, o indicador teve variação de -1,3% quando avaliados os jovens de 18 a 24 anos. Segundo o Ipea, isso acontece porque as pessoas nessa faixa etária têm menos chances de serem contratadas e mais chances de serem demitidas.

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O tempo de permanência no desemprego também vem crescendo nos últimos meses. O percentual de trabalhadores que procuram emprego há dois anos ou mais cresceu ao longo de 2018 até chegar a 26% no último trimestre. "Consequentemente, no último trimestre do ano passado, 48% dos desocupados se mantiveram nesta situação durante todo o período", diz o relatório.

Outro dado divulgado pelo Ipea é a alta do percentual de residências sem renda proveniente do trabalho. De acordo com o estudo, 22,2% dos domicílios brasileiros estavam nessa situação no último trimestre de 2018 , enquanto, no fim de 2017, o percentual era de 21,5%. Em números absolutos, 16 milhões das 72 milhões de residências brasileiras não possuem renda proveniente do trabalho.

Adicionalmente, houve variação positiva dos percentuais de domicílios com renda muito baixa e alta. No quarto trimestre de 2018, 30,1% das residências tinham renda menor que R$ 1.601,18 no País, enquanto, no fim de 2017, a fatia era de 29,8%. Já os domicílios com renda superior a R$ 16.011,84 passaram de 2% para 2,1% do total.


*Com informações da Agência Brasil