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No setor de mineração, por exemplo, uma dirigente de explorações ganhava apenas R$ 5.439, enquanto seu equivalente masculino recebia R$ 17.006

Mulheres em cargos de chefia chegam a ganhar um terço do salário pago aos homens que ocupam a mesma função
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Mulheres em cargos de chefia chegam a ganhar um terço do salário pago aos homens que ocupam a mesma função

Mulheres que ocupam cargos de chefia chegam a ganhar um terço do salário pago aos homens que desempenham a mesma função. Em 2018, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio mensal de uma dirigente de serviços de saúde, por exemplo, era de R$ 4.764, enquanto seu equivalente masculino ganhava R$ 14.891.

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Para chegar a esse cenário desigual entre mulheres  e homens no mercado de trabalho, o instituto partiu da base de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua. Os pesquisadores, então, analisaram as diferenças entre trabalhadoras e trabalhadores de 25 a 49 anos, uma população que somava 56,4 milhões de pessoas em 2018. Desta amostra, 45,3% são mulheres.

Outro exemplo extremo encontrado pelo IBGE está no setor de mineração. De acordo com os dados levantados, uma dirigente de explorações recebia R$ 5.439 em 2018, enquanto um homem que ocupava a mesma função, R$ 17.006. Este e outros casos corroboram com a tese do instituto de que a diferença salarial entre gêneros está espalhada pelas mais diversas áreas e níveis de instrução.

Ganhos médios e carga horária

No ano passado, o valor médio pago por hora trabalhada era de R$ 13 para mulheres e de R$ 14,20 para homens
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No ano passado, o valor médio pago por hora trabalhada era de R$ 13 para mulheres e de R$ 14,20 para homens

No ano passado, ainda segundo o IBGE, o valor médio pago por hora trabalhada era de R$ 13 para mulheres e de R$ 14,20 para homens. Isso significa que a remuneração para elas representava 91,5% daquele oferecido a eles. Se comparados os rendimentos totais, o cenário é ainda pior:  as mulheres recebiam, em média, R$ 2.050 – ou 79,5% do que os homens (R$ 2.579).

Parte desses números se explica pelo fato de que as mulheres têm uma jornada de trabalho semanal menor que a dos homens: 37,9 horas contra 42,7 horas. O cálculo, porém, não leva em consideração o tempo dedicado às atividades domésticas e cuidados com os filhos, por exemplo. Além disso, a duração da jornada das mulheres diminui menos que a dos homens em relação a 2012: 0,4 hora para elas, 1,6 hora para eles.

De qualquer maneira, a diferença na carga horária não é suficiente para explicar a grande disparidade salarial entre os gêneros. Nos setores de serviços e comércio, por exemplo, elas representam 59% dos ocupados e trabalham 88% das horas dos homens, mas recebem apenas 66,2% do salário deles. Em 2018, uma gerente de comércios atacadistas e varejistas ganhava R$ 2.668; um homem, por sua vez, recebia R$ 4.045.

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As mulheres só chegam mais perto do salário dos homens em cargos mais elementares, que já têm remuneração média mais baixa. No ano passado, segundo o IBGE, o salário delas era de R$ 951, equivalente a 89,8% do que recebiam os homens (R$ 1.060). O valor médio pago as mulheres, porém, não chegava nem ao salário mínimo (R$ 954) vigente no período.