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Segundo a mineradora, investimentos atingirão R$ 256 milhões em 2019 contra R$ 92 milhões em 2015, ano da tragédia em Mariana; depois de Brumadinho, R$ 1,5 bilhão em 2020 irão para tecnologias de rejeitos a seco

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Divulgação/Vale
O Diretor-Presidente da Vale, Fabio Schvartsman, sobrevoa Brumadinho após rompimento de barragem em 25 de janeiro







A Vale aumentou em 180% seus investimentos em gestão de barragens no Brasil nos últimos quatro anos. A informação foi divulgada na noite desta terça-feira (5) em comunicado oficial da mineradora.

De acordo com a nota, os investimentos da Vale foram de R$ 92 milhões em 2015 (ano em que um rompimento de uma barragem da empresa em Mariana deixou 19 mortos) e alcançarão R$ 256 milhões em 2019, após tragédia similar acontecer em Brumadinho deixando, até o momento, 142 mortos e 190 desaparecidos .

A mineradora informa que "vem investindo continuamente na manutenção e segurança de suas barragens , com padrões em permanente alinhamento e atualização com as mais rigorosas práticas internacionais", além de em "ações de saúde e segurança", o que evidencia o "compromisso da Vale com a disponibilização dos recursos necessários para preservar a saúde e segurança de seus funcionários e das comunidades vizinhas."

Segundo a empresa, esse aumento nos investimentos tem sido aplicados em "serviços de manutenção, monitoramento, obras de melhorias, auditorias, análises de riscos, revisões dos Planos de Ação para Emergências de Barragens de Mineração (PAEBM) e implantação de sistemas de alerta, vídeo monitoramento e instrumentação".

Vale se compromete a investir R$ 1,5 bilhão em tecnologias mais seguras

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ALEX DE JESUS/O TEMPO
Vale pretende diminuir o número de barragens em suas operações até 2023


O comunicado também afirma que a mineradora deve investir, a partir de 2020, cerca de R$ 1,5 bilhão "na implementação de tecnologia de disposição de rejeito a seco (dry stacking)." Depois da nova tragédia, essa é uma forma de diminuir a utilização de barragens nas operações da empresa, aumentando a parcela de produção a seco para 70% até 203.

"É importante reforçar que todas as novas construções de barragens da Vale seguem o método de construção convencional, em linha com a decisão tomada em 2016, após o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, de tornar inativas e descomissionar todas as barragens a montante e cuja implementação será acelerada conforme Fato Relevante divulgado de 29 de janeiro de 2019", diz a nota.

Após o desastre de Brumadinho, que aconteceu em 25 de janeiro, a Vale já teve mais de R$ 12 bilhões bloqueados de suas contas, além de multas aplicadas por diversos setores e perda de quase R$ 70 bilhões em valor de mercado .