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Salim Mattar, secretário de Desestatização e Desinvestimentos do Governo Federal, disse que as três estatais devem permanecer, mas "bem magrinhas"; questionado sobre a tragédia em Brumadinho, isentou a Vale de culpa. Veja

Petrobras, Caixa e Banco do Brasil deverão ser as únicas estatais a não passarem por processo de privatização
Fernando Frazão/Agência Brasil
Petrobras, Caixa e Banco do Brasil deverão ser as únicas estatais a não passarem por processo de privatização

Petrobras, Caixa e Banco do Brasil (BB) deverão ser as três únicas estatais preservadas, não passando pelo processo de privatização, afirmou o secretário de Desestatização e Desinvestimentos do Governo Federal, Salim Mattar. Ele também disse que elas seguirão comandadas pelo Estado, mas serão "bem magrinhas".

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"Somente estas três deverão permanecer, e bem magrinhas", declarou o secretário em evento do banco Credit Suisse, em São Paulo, ao ser questionado sobre os processos de privatização durante o governo de Jair Bolsonaro (PSL). Mattar acrescenta que esta é a vontade de Paulo Guedes, ministro da Economia.

Guedes já citou ter como objetivo atingir US$ 20 bilhões com privatizações ainda em 2019, primeiro ano de governo. A meta da equipe econômica é privatizar ou extinguir todas as companhias estatais comandadas pela União, que hoje são 138, exceto as três mencionadas. A meta é levantar, ao todo, entre US$ 700 e US$ 800 bilhões com as mudanças nessas empresas.

Mattar avalia que as 36 subsidiárias da Petrobras , assim como as que estão abaixo da Caixa e Banco do Brasil , são mais fáceis de privatizar e podem sofrer alterações, o que justifica o "emagrecimento" das estatais.

Ele acrescenta que empresas como os Correios , que sofrem com problemas de gestão, são vistas como desafios maiores na meta do governo. "Os Correios são uma empresa complexa que se transformou neste gigante difícil de ser privatizado", afirmou.

Hamilton Mourão , vice-presidente da República, já defendeu que "por enquanto" não é favorável à privatização da estatal , ao ser questionado sobre os Correios em 25 de janeiro, dia que marca as celebrações do aniversário de criação da empresa e também ao Dia do Carteiro, data celebrada no Brasil desde 1663, quando foi criado o cargo de Correio-mor da Monarquia Portuguesa.

A estatal tem vinculação ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, comandado pelo astronauta Marcos Pontes. Em dezembro de 2018, quando já havia sido anunciado como titular da pasta, o ministro declarou que a privatização dos Correios não estava, por ora, na pauta do governo Bolsonaro, embora o presidente já tenha afirmado no período de campanha que "Seu fundo de pensão foi simplesmente implodido pela administração petista. Os Correios têm muitas reclamações, diferentemente do passado, [então] podem entrar nesse radar da privatização", aproveitando para criticar os governos de Lula e Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores.

Além de privatização, Mattar falou sobre Brumadinho

Além da privatização de empresas estatais, Salim Mattar falou sobre a tragédia em Brumadinho
Ricardo Stuckert /Fotos Públicas
Além da privatização de empresas estatais, Salim Mattar falou sobre a tragédia em Brumadinho

"A sociedade está investigando a empresa, enquanto deveriam ser investigadas as pessoas que tomaram as atitudes", afirmou, lamentando o desastre ocorrido em Brumadinho na última sexta-feira (25), que já soma 65 mortos e 279 desaparecidos . Mattar também isentou a Vale , responsável pela barragem que se rompeu, de culpa, atribuída por ele aos gestores da mineradora.

Segundo o secretário, o erro foi cometido por seres humanos, e estes devem pagar pelo desastre. "A companhia não fez mal a ninguém, o CNPJ não fez mal a ninguém", reforçou.
O secretário salientou ainda sua posição favorável ao capital, que, segundo ele, é o grande gerador de empregos, dizendo que "temos que preservar nossas empresas".

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A Vale passou por processo de privatização durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1997, e desde então é gerida majoritariamente pela iniciativa privada.

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