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Opinião do vice-presidente contraria a de Jair Bolsonaro, que demonstrou interesse em conceder a estatal à iniciativa privada ainda durante as eleições

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que não é favorável à privatização dos Correios
Romério Cunha/Presidência da República
O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse que não é favorável à privatização dos Correios "por enquanto"

O vice-presidente e presidente em exercício, Hamilton Mourão (PRTB), declarou que não é favorável, ao menos "por enquanto", à privatização dos Correios. O general foi questionado sobre o assunto após um evento em comemoração ao aniversário de criação da estatal e ao Dia do Carteiro, ambos celebrados desde 25 de janeiro de 1663.

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Durante a corrida eleitoral, em entrevista à Band , Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que os Correios tinham grandes chances de serem privatizados durante sua gestão. "Seu fundo de pensão foi simplesmente implodido pela administração petista. Os Correios têm muitas reclamações, diferentemente do passado, [então] podem entrar nesse radar da privatização", comentou.

A estatal é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, hoje comandado pelo astronauta Marcos Pontes . Em dezembro, quando já havia sido anunciado como titular da pasta, o ministro declarou que a privatização dos Correios não estava, por ora, na pauta do governo Bolsonaro.

O tema também não foi incluído na lista das principais metas para os primeiros 100 dias de governo. Divulgada ontem (23) , relação cita apenas o combate às fraudes no INSS, a abertura do Sine (Sistema Nacional de Emprego), a intensificação do processo de inserção econômica internacional e a redução da máquina administrativa.

Discussões na gestão Temer

Durante seu mandato, o ex-presidente Michel Temer (MDB) chegou a avaliar a proposta de privatizar os Correios
Rogério Melo/Presidência da República
Durante seu mandato, o ex-presidente Michel Temer (MDB) chegou a avaliar a proposta de privatizar os Correios

O ex-presidente Michel Temer (MDB) chegou a avaliar a proposta de privatizar os Correios. A ideia foi motivada pelas dificuldades financeiras da estatal, que vinha de quatro anos consecutivos de prejuízo. Apenas entre 2015 e 2016, as perdas somaram R$ 3,6 bilhões.

Na época em que as discussões se iniciaram, o então ministro Gilberto Kassab declarou que a privatização parcial ou integral dos Correios seria o único caminho viável caso não fosse possível cortar gastos dentro da empresa. Os planos do governo, porém, foram deixados de lado em maio do ano passado.

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A maior participação da iniciativa privada na área de infraestrutura é uma das bandeiras que Bolsonaro e Temer compartilham. Desde sempre, o novo presidente afirmava que pretendia dar continuidade ao programa de privatizações e concessões iniciado pela gestão anterior.