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Índice perde apenas para os quase 1.700.000% registrados na Venezuela e é o mais alto desde 1991; no período, poder de compra dos salários despencou

Antonio Cruz/Agência Brasil
"A Argentina é um caso surpreendente de uma sociedade que se acostumou a viver com a inflação", avalia economista

Sob uma forte crise econômica que se arrasta há meses, a Argentina fechou 2018 com inflação de 47,6%. Índice é o segundo mais alto da América Latina, perdendo apenas para os quase 1.700.000% registrados na Venezuela. O patamar alcançado no ano passado também é o maior desde 1991.

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"É uma inflação muito alta. A Argentina é um caso surpreendente de uma sociedade que se acostumou a viver com a inflação. Faz muitos anos que a inflação não é um problema no mundo, nem nos países desenvolvidos, nem nos emergentes", afirmou o economista Martín Vauthier, da Eco Go consultores, à agência  France-Presse (AFP).

No país, o índice de preços ao consumidor também foi o mais alto em 27 anos. Naquela época, em abril de 1991, quando a conversão de um peso por um dólar começou a ser aplicada, o indicador registrou uma variação positiva de 84%.

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Ao longo de 2018, a desvalorização do peso argentino em relação ao dólar foi de 51%. Para o período, a expectativa é de que o PIB (Produto Interno Bruto ou Producto Interior Bruto, em espanhol) do país tenha recuado 2,6%. 

A surpresa da crise

Por causa da crise econômica, a Argentina teve que pedir ajuda duas vezes ao FMI (Fundo Monetário Internacional)
Reprodução/DW Español
Por causa da crise econômica, a Argentina teve que pedir ajuda duas vezes ao FMI (Fundo Monetário Internacional)

Em 2017, tanto o governo argentino como os analistas financeiros estimavam um 2018 mais tranquilo, com inflação controlada, câmbio estável e ligeiro crescimento econômico. Mas aconteceu o oposto: os preços saltaram mais de 47%, o dólar chegou a 39 pesos e o PIB retraiu. O país teve até que pedir ajuda, por duas vezes, ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

Quatro fatores podem explicar a crise na Argentina. O primeiro é o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, que afetou países emergentes de forma geral; o segundo é a fragilidade estrutural da economia do país, já extremamente endividada; o terceiro, a pior seca vivida em quase 50 anos, o que prejudicou o agronegócio; o quarto, os erros cometidos pela gestão do liberal Mauricio Macri.

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As perspectivas para 2019 não são otimistas. Apesar de o desemprego não ter aumentado significativamente e alguns desequilíbrios externos terem sido corrigidos pela recessão, o poder de compra dos salários despencou. A reeleição de Macri como presidente da Argentina não parece tão provável como antes e esse cenário de incertezas pode acabar afugentando investidores nacionais e estrangeiros.

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