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Número corresponde a mais de 10% de toda a população da região e é o maior já registrado desde 2008; situação não deve ser revertida tão cedo

Segundo projeções da Cepal, nível de pobreza deve cair um pouco em 2018, passando a atingir 182 milhões de pessoas
Fernando Frazão/Agência Brasil
Segundo projeções da Cepal, nível de pobreza deve cair um pouco em 2018, passando a atingir 182 milhões de pessoas

Dos 184 milhões de latino-americanos afetados pela miséria, 62 milhões – ou 10,2% de toda a população da região – estão em situação de extrema pobreza. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (15) em Santiago, no Chile, pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

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No relatório Panorama Social da América Latina 2018, baseado em dados colhidos até dezembro do ano anterior, a Cepal afirma que a proporção de pobres se manteve estável em 2017 e chegou a 30,2% da população latino-americana. O problema é que o número de pessoas em extrema pobreza continuou aumentando, prolongando uma tendência observada desde 2015 na região. O percentual de 10,2% é o maior já registrado em dez anos.

Segundo estimativas da comissão, o nível de pobreza deve cair um pouco em 2018, passando a atingir 182 milhões de pessoas (ou 29,6% da população). A extrema pobreza, porém, deve se manter em 10,2% e afetar 63 milhões de latino-americanos – 1 milhão a mais do que o verificado em 2017.

“Ainda que a região tenha atingido importantes avanços entre a década passada e meados da presente, desde 2015 foram registrados retrocessos, particularmente em matéria de extrema pobreza ”, avaliou Alicia Bárcena, secretária-executiva do Cepal na Organização das Nações Unidas (ONU). A porta-voz ainda enfatizou a necessidade de investimento em políticas públicas de proteção social, inclusão do mercado de trabalho e de redistribuição de renda.

Recortes sociodemográficos

No mercado de trabalho, a participação das mulheres (50,2%) continuou sendo muito menor que a dos homens (74,4%)
Divulgação
No mercado de trabalho, a participação das mulheres (50,2%) continuou sendo muito menor que a dos homens (74,4%)

O relatório da Cepal ainda aponta que a forma com que a pobreza e a extrema pobreza afetam as populações variam de acordo com a área onde vivem e suas características sociodemográficas. A taxa de pobreza daqueles que moram em áreas rurais, por exemplo, é cerca de 20 pontos maior que a da população das áreas urbanas.

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A pobreza e a extrema pobreza também têm uma incidência maior sobre a população mais jovem. Segundo o documento, a taxa de pobreza para meninos, meninas e adolescentes de até 14 anos é 19 pontos percentuais mais alta que a das pessoas de 35 a 44 anos e 31 pontos percentuais maior que a da população de 65 anos ou mais.

Em média, cerca de 40% da população ocupada da América Latina tem renda inferior ao salário mínimo estabelecido por seu país. Essa proporção é ainda maior entre as mulheres (48,7%) e os jovens de 15 a 24 anos (55,9%). Para reverter esse quadro, segundo a Cepal, são necessárias políticas universais que sejam sensíveis a essas discrepâncias e que consigam fechar as brechas de acesso que afetam os diferentes grupos sociais.

A diferença entre gêneros também é perceptível no mercado de trabalho , onde a participação das mulheres (50,2%) continuou sendo muito menor que a dos homens (74,4%). Mais da metade das mulheres ocupadas (51,8%) são empregadas em setores de baixa produtividade e, destas, 82,2% não estão afiliadas ou não contribuem para algum tipo de sistema previdenciário.

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“Sem políticas públicas adequadas que abordem assuntos chave, como a formação e o emprego das mulheres nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática, que contribuam para evitar a precarização dos empregos e que promovam a corresponsabilidade nos sistemas de cuidado, [...] corre o risco de que se perpetuem as brechas existentes e as carências de trabalho decente que as afetam atualmente”, conclui o relatório.

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