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Em discurso, Pedro Guimarães sugere que as taxas cobradas aos mais ricos sejam compatíveis às praticadas no mercado: "É a lei da oferta e da demanda"

Marcelo Camargo/Agência Brasil
"Quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Itaú", enfatizou o presidente da Caixa

O novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, defendeu mudanças nos juros oferecidos à classe média por crédito habitacional. Para o economista, as taxas cobradas para os mais ricos têm que ser mais altas, compatíveis com o que é praticado no mercado. A declaração foi feita nesta segunda-feira (7), durante a cerimônia de posse dos novos presidentes dos bancos públicos.

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"Quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Bradesco, no Itaú", enfatizou o presidente da Caixa. "Na Caixa Econômica Federal, certamente vai pagar juros maiores que [os cobrados no] Minha Casa Minha Vida, e vão ser juros de mercado. A Caixa vai respeitar, acima de tudo, o mercado. É a lei da oferta e da demanda", completou.

Questionado sobre a possibilidade de aumento dos custos do financiamento à casa própria, Guimarães respondeu que "depende", mas garantiu que nada mudaria para as pessoas atendidas pelo Minha Casa Minha Vida. "Os juros não vão subir para Minha Casa Minha vida. Juros de Minha Casa Minha Vida é para quem é pobre", disse.

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Criado em 2009 pelo então presidente Lula (PT), o Minha Casa Minha Vida atende famílias de quatro faixas de renda diferentes. A faixa 1, em que não há incidência de juros, serve a quem tem renda mensal bruta de até R$ 1,8 mil. A faixa 1,5, para quem ganha até R$ 2,6 mil, tem juros de 5% ao ano. A 2 e a 3 cobram de 6% a 7% e 8,16% de juros ao ano, respectivamente, e são destinadas às famílias com renda até R$ 4 mil e R$ 9 mil.

Caixa na Bolsa

O presidente da Caixa anunciou que o banco pode fazer até três aberturas de capital de unidades ainda em 2019
Getty Images
O presidente da Caixa anunciou que o banco pode fazer até três aberturas de capital de unidades ainda em 2019

Simultaneamente, o novo presidente da Caixa anunciou que o banco pode fazer até três aberturas de capital de unidades ainda em 2019, com a área de seguridade sendo a mais adiantada. Os setores de cartões, operações de loterias e gestão de fundos também estão na mira de Guimarães.

Para levantar recursos, o banco ainda aposta na venda de ativos – mas esse processo demandará mais tempo. Isso porque, segundo o novo presidente, será necessário criar uma distribuidora de títulos e valores mobiliários (DTVM), o que requer autorização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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O dinheiro obtido a partir dessas iniciativas ajudarão a Caixa a pagar a dívida de R$ 40 bilhões em Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) que tem com a União. "Tenho quatro anos para fazer esse pagamento e o farei", garantiu Guimarães. "As operações [de abertura de capital] já estão adiantadas, nós faremos ao menos duas neste ano. É o meu compromisso com o ministro [da Economia] Paulo Guedes ."


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