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Indicado no ano passado, novo presidente é partidário das privatizações e tem o desafio de lidar com as críticas e a descrença que pairam a estatal

Castello Branco é defensor das privatizações e defendeu publicamente a venda da Petrobras em diversas ocasiões
José Cruz/Agência Brasil
Castello Branco é defensor das privatizações e defendeu publicamente a venda da Petrobras em diversas ocasiões

O economista Roberto Castello Branco assumiu, na tarde desta quinta-feira (3), a presidência da Petrobras. Ele foi indicado para o cargo já no ano passado pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e vai substituir Ivan Monteiro, que estava no comando da estatal desde 1º de junho de 2018. 

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O novo presidente recebe uma Petrobras muito criticada por sua política de preços dos combustíveis, que levou à greve dos caminhoneiros no ano passado, e desacreditada diante dos recentes escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato. A estatal ainda tenta se recuperar dos últimos prejuízos bilionários e deve registrar, em 2018, o primeiro lucro em cinco anos. 

Castello Branco é defensor ferrenho das privatizações e defendeu publicamente a venda da Petrobras em diversas ocasiões. Na época de sua indicação, em novembro passado, o economista revelou que pretende acelerar a exploração do pré-sal e vender empresas vinculadas à estatal. 

Doutor em Economia pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), Castello Branco é amigo do ministro Paulo Guedes, com quem estudou na Universidade de Chicago (EUA). Já ocupou cargos de direção no Banco Central (BC) e na Vale e chegou a trabalhar na própria Petrobras durante o mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). 

Política de preços 

Um dos maiores desafios de Castello Branco será lidar com as críticas à política de preços adotada pela Petrobras
Fernando Frazão/Agência Brasil
Um dos maiores desafios de Castello Branco será lidar com as críticas à política de preços adotada pela Petrobras

Um dos maiores desafios do novo presidente será lidar com as críticas direcionadas à política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras desde julho de 2017. De acordo com a metodologia, os reajustes podem acontecer mais frequentemente, inclusive todos os dias, e refletem os preços praticados nos mercados internacionais e a cotação do dólar. 

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Em entrevista ao Estadão publicada em novembro, Castello Branco afirmou que essa política de preços “é um sinal do nosso atraso”. “Acho horrível se falar em política de preços. Não se vê política para carne e para arroz, por exemplo. O ideal é que tenhamos vários players [atores] de mercado e que cada um decida o que é melhor para seus clientes”, opinou o economista. 

Operação Lava Jato 

Depois de estar no centro das investigações da Lava Jato no governo Dilma, a Petrobras tenta combater a corrupção
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Depois de estar no centro das investigações da Lava Jato no governo Dilma, a Petrobras tenta combater a corrupção

Hoje, depois de estar no centro das investigações da Lava Jato , a Petrobras tenta melhorar sua gestão e combater casos de corrupção. Para tanto, a estatal chegou a contratar escritórios especializados em governança, criar uma diretoria para cuidar do tema e até abrir um canal de denúncias. 

Em setembro do ano passado , a Petrobras fechou um acordo de US$ 853 milhões com as autoridades norte-americanas para encerrar as investigações nos Estados Unidos e garantir que a empresa não seria mais processada pelos esquemas de desvio de dinheiro. Desse valor, 80% foi pago diretamente ao Ministério Público Federal (MPF) e o restante ao Departamento de Justiça e à Comissão de Valores Mobiliários (SEC, na sigla em inglês) dos EUA. 

Prejuízos e perspectivas

Depois de quatro anos de prejuízos, a Petrobras parece estar no caminho certo para voltar a ter resultados positivos
Shutterstock
Depois de quatro anos de prejuízos, a Petrobras parece estar no caminho certo para voltar a ter resultados positivos

Depois de quatro anos consecutivos registrando prejuízos bilionários, a Petrobras parece estar no caminho certo para voltar a ter resultados positivos. Até setembro de 2018, data do último dado divulgado pela estatal, a empresa acumulava lucro de R$ 23,6 bilhões no ano. 

As dívidas, porém, continuam muito altas e chegam a US$ 88,1 bilhões. Para reduzir esse valor, a estatal deve seguir com a estratégia de venda de ativos, especialmente nas áreas de refino e distribuição: segundo seu plano de investimentos para os próximos cinco anos, a Petrobras espera arrecadar US$ 26,9 bilhões com a prática.

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O processo ainda é incerto, já que uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) proferida em junho passou a exigir que a venda de subsidiárias controladas por estatais sejam aprovadas previamente pelo Congresso. Em 2018, a nova regra impediu que a Petrobras conseguisse vender a TAG (empresa que atua no segmento de transporte e armazenagem de gás natural) e algumas de suas refinarias.

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