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Declaração de Aloysio Nunes contradiz o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que já havia dito que não daria prioridade ao bloco sul-americano

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
"O Mercosul não é uma obra pronta e acabada, precisa passar por aperfeiçoamentos", avaliou o ministro Aloysio Nunes

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, afirmou, nesta segunda-feira (17), que o novo governo não dará menos importância ao bloco durante seu mandato, que se inicia em 1º de janeiro. A declaração do chanceler contradiz o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que já havia sinalizado que não daria prioridade ao Mercosul.

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Nunes, porém, não fez promessas e disse que não responde pelo próximo governo. Mas na visão do ministro, que está em Montevidéu, no Uruguai, para o primeiro dia de reuniões do Mercosul , o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) quer a continuidade do bloco econômico. "Mas o Mercosul não é uma obra pronta e acabada, precisa passar por aperfeiçoamentos e assim ir melhorando", avaliou o chanceler.

Durante o encontro, Nunes ainda afirmou que tem acompanhado o que Otávio Brandelli, futuro secretário-geral do Itamaraty, e a equipe do chanceler argentino Jorge Faurie vêm debatendo sobre a possibilidade de abrir o Mercosul. Para o ministro brasileiro, ambos os lados conseguiram avançar muito e eliminaram barreiras, mas ainda "é preciso eliminar impostos e burocracia e tornar a estrutura [do bloco] mais leve".

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O chanceler do Brasil também comentou sobre a a continuidade do processo de estabelecimento de uma união aduaneira, isto é, uma área de livre comércio com uma tarifa externa comum (TEC). Segundo Nunes, favorável à iniciativa, a discussão "existe mesmo no atual governo", mas ainda não é unânime no próximo. "Vamos esperar o novo governo assumir. A nova equipe está muito focada no Mercosul", garantiu.

Mercosul e União Europeia

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"Chegamos perto de assinar o acordo [entre Mercosul e UE] e o tempo passado não foi em vão", defendeu Aloysio Nunes

Quanto ao acordo do Mercosul com a União Europeia (UE), o ministro brasileiro disse que, em sua gestão, a ideia avançou muito, mas acabou estagnando nas últimas semanas por conta de uma suposta "intransigência em relação a determinados temas" por parte do bloco europeu.

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Nunes, contudo, segue esperançoso. "Chegamos muito perto de assinar o acordo e o tempo passado não foi em vão", defendeu. "O novo governo e a próxima representação da União Europeia podem seguir a partir de algo já construído, isso se as correntes nacionalistas e protecionistas não continuarem a prosperar na Europa."

O chanceler brasileiro ainda se disse um defensor da UE como "projeto importante para a humanidade", mas que está sob ataque em muitos países do mundo, o que acabou freando as expectativas do Brasil quanto à possibilidade de acordo com os europeus. "[Mas] é preciso superar esses temas de conjuntura política", avaliou Nunes.

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O ministro segue em Montevidéu para a segunda rodada de reuniões do Mercosul , que acontecerá na amanhã (18). Aloysio Nunes se encontrará com os representantes de Argentina, Paraguai e Uruguai, que formam, ao lado do Brasil, o grupo de países-membros do bloco sul-americano.

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