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Chanceler alemã diz entender que o presidente eleito no Brasil pode causar atritos e que espera que as negociações possam avançar neste final de ano

Angela Merkel espera que acordo entre UE e Mercosul avance e diz que Bolsonaro deve dificultar tratativas
Divulgação
Angela Merkel espera que acordo entre UE e Mercosul avance e diz que Bolsonaro deve dificultar tratativas

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta quarta-feira (12) que o tempo está se esgotando para a assinadura do acordo entre União Europeia (UE) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) pois, em seu entendimento, o presidente eleito Jair Bolsonaro tornará mais difícil o acordo.

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A UE e o Mercosul negociam desde 2000 a assinatura desse acordo, que é baseado no diálogo político, na cooperação e no livre-comércio. Contudo, as partes tentam apressar o calendário de negociações para firmá-lo ou avançar o máximo possível antes que o presidente eleito bi Brasil tome posse, em 1º de janeiro. Merkel debateu com parlamentares e, no Brasil, foi respondida por ministros do atual governo.

O Brasil e os demais países do Mercosul querem maior abertura do mercado europeu para produtos agrícolas, enquanto o bloco europeu oferece um sistema de cotas para produtos como carne bovina, carne de frango, etanol e arroz. O volume dessas cotas, a velocidade de implantação e as alíquotas sobre esses produtos ainda são pontos sem consenso, no entanto. Associações de agricultores europeus temem perdas com a concorrência.

Entre os assuntos sensíveis que dificultam o acordo, estão as indicações geográficas, os setores automotivo e de laticínios e a oferta da UE de "acesso ao mercado de produtos."

ministro da Agricultura , Blairo Maggi, afirmou que o Mercosul está pronto para selar um acordo, mas este não agrada aos europeus, então o entrave segue. "O Mercosul e a União Europeia só não têm um acordo, não é porque o Mercosul não quis, é porque a União Europeia não quis", disse.

O ministro complementou ainda garantindo que o Brasil "flexibilizou o que podia flexibilizar". "Flexibilizamos até em detrimento de uns setores aqui internamente", mas, ainda assim, não há equivalência de interesse com os países do bloco europeu.

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O ministro da Fazenda , Eduardo Guardia, disse que o Brasil está empenhado para a conclusão do acordo, mas ainda é preciso que os dois lados estejam interessados. Ele argumenta que o Brasil trata o tema com grande importância, e que o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, está pessoalmente empenhado.

"Tenho acompanhado todos os temas de maneira muito próxima e estamos dando todos os sinais que Brasil tem vontade e disposição de fechar o acordo, mas os dois lados têm que querer", afirmou Guardia.

Bolsonaro, Merkel e o Mercosul

Jair Bolsonaro deve dificultar acordo entre UE e Mercosul, segundo Angela Merkel, chanceler alemã
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Jair Bolsonaro deve dificultar acordo entre UE e Mercosul, segundo Angela Merkel, chanceler alemã

Jair Bolsonaro já afirmou em mais de uma oportunidade que é mais favorável a negociações bilaterais do que a engajamentos em grupos multilaterais, como o Mercosul, diminuindo sua importância histórica e a relação do Brasil com os outros países do grupo, privilegiando os desenvolvidos.

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Angela Merkel , sabendo da posição do presidente eleito no Brasil, que é o principal país do Mercosul, diz esperar que o final de ano possa ser produtivo e o acordo seja adiantado até a posse do capitão reformado.