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Cônsul-geral da Argentina prevê mudanças, mas sem prejuízos aos membros; representante do Paraguai defende a união: "Somos mais fortes juntos"

“Você não se separa da sua mulher se quer ir para o mesmo lado que ela, você procura negociar. Não dá para romper de um dia para o outro”, defende Luis Castillo, cônsul-geral da Argentina
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“Você não se separa da sua mulher se quer ir para o mesmo lado que ela, você procura negociar. Não dá para romper de um dia para o outro”, defende Luis Castillo, cônsul-geral da Argentina

Em meio às perspectivas sobre o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), representantes dos países que integram o Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) disseram que aguardam mudanças do Brasil, mas jamais o rompimento ou prejuízos ao bloco econômico. A discussão aconteceu nesta quarta-feira (7) durante um encontro na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

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O debate foi motivado por declarações críticas do economista Paulo Guedes, confirmado para o "Superministério" da Economia de Bolsonaro, que unificará os atuais Planejamento, Fazenda e Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Dias depois de dizer que o Mercosul não será prioridade, o presidente eleito ressaltou que a mudança será para evitar o “viés político” nas negociações.

Para Luis Castillo, cônsul-geral da Argentina, o Mercosul terá algumas mudanças, mas sem o rompimento do Brasil com o bloco. “Você não se separa da sua mulher se quer ir para o mesmo lado que ela, você procura negociar. Não dá para romper de um dia para o outro. Tem que ser conversado”.

Segundo o representante argentino, as críticas sobre a Venezuela , que faz parte do Mercosul, mas está suspensa temporariamente, devem ser superadas. Bolsonaro já afirmou que não pretende adotar ações de intervenção no país vizinho.

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O adido comercial do Paraguai, Sebastian Bogado, disse buscar pela convergência de interesses, e que é necessário flexibilizar as normas para negociação com outros países. “Com todas as dificuldades, é de se destacar que também foi feito um trabalho árduo [no Mercosul]. A importância de se manter juntos continua valendo, inclusive com as nossas imperfeições. Somos mais fortes juntos que separados”, opinou.

Raio-X do Mercosul

Segundo o Ministério da Indústria, as exportações do Brasil para o Mercosul somaram US$ 16,7 milhões de janeiro a setembro; as importações, também no acumulado, totalizaram US$ 9,8 milhões
Arquivo/Agência Brasil
Segundo o Ministério da Indústria, as exportações do Brasil para o Mercosul somaram US$ 16,7 milhões de janeiro a setembro; as importações, também no acumulado, totalizaram US$ 9,8 milhões

Como bloco econômico, o Mercosul existe desde 1991. Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as exportações para o bloco somaram US$ 16,7 milhões de janeiro a setembro – uma alta de 1,29% sobre o mesmo período do ano passado. As importações, também no acumulado, totalizaram US$ 9,8 milhões (12,44%).

Os principais produtos exportados foram automóveis de passageiros (21%), veículos de carga (6,6%), óleo bruto de petróleo (6,4%), peças para veículos e tratores (5,2%), manufaturados (5%) e tratores (2,8%). O Brasil importou veículos de carga (17%), automóveis de passageiro (16%) e trigo em grãos (10%).

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Recentemente, o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, informou que avançam as negociações para um acordo de associação entre o Mercosul e a União Europeia. As articulações estão em curso há 18 anos, mas há divergências quanto à indústria automobilística e ao acesso a itens como a carne bovina, o açúcar e os produtos lácteos.


*Com informações da Agência Brasil

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