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Para Ilan Goldfajn, a não continuidade das reformas e o cenário internacional incerto podem contribuir para que o país não consiga atingir a meta do IPCA

Quando o BC reduz a Selic, a tendência é incentivar a produção e o consumo; quando aumenta, o objetivo é manter a demanda aquecida, estimular a poupança e controlar a inflação
José Cruz/Arquivo/Agência Brasil
Quando o BC reduz a Selic, a tendência é incentivar a produção e o consumo; quando aumenta, o objetivo é manter a demanda aquecida, estimular a poupança e controlar a inflação

A política monetária deve continuar a ser estimuladora para a economia, mas a taxa básica de juros, a Selic, pode voltar a subir caso haja piora nas expectativas para a inflação. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (27) pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, ao apresentar o Relatório de Inflação.

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“Temos compromisso com inflação na meta e, portanto, alertamos que esse estímulo [taxa  Selic no menor nível histórico, 6,5% ao ano] começará ser removido gradualmente caso o cenário prospectivo para a inflação no horizonte relevante para a política monetária e seu balanço de riscos apresentem piora”, explicou Goldfajn.

Ao definir a taxa Selic, o BC está mirando na meta de inflação, que é de 4,5% neste ano e 4,25% em 2019, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Quando o BC reduz os juros, a tendência é diminuir os custos do crédito e incentivar a produção e o consumo. Quando aumenta, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Segundo Goldfajn, há três riscos considerados relevantes para o BC, e o único deles que pode "surpreender" e baixar a inflação é a capacidade ociosa do país. "Em compensação", completa, "temos dois riscos que estão crescendo: o de frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas [como a da Previdência ] e dos ajustes na economia brasileira, além do cenário internacional mais incerto, especialmente para economias emergentes”.

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Este último se refere principalmente à alta dos juros nos Estados Unidos (EUA). Com taxas mais altas, investidores com capital aplicado em países emergentes, como o Brasil, podem preferir tirar recurso do país e investir em títulos do Tesouro norte-americano, os treasures, considerados os papéis mais seguros do mundo.

Este também é um dos efeitos que fazem com que o dólar se valorize em relação ao real. A menor oferta de moeda norte-americana no mercado de câmbio nacional eleva o seu preço. Neste ano, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos EUA, subiu os juros três vezes.

Crédito

Durante a apresentação do Relatório de Inflação, Ilan Goldfajn destacou que o crédito vem subindo no país, enquanto a inadimplência, as taxas de juros e o spread bancário estão caindo
Shutterstock
Durante a apresentação do Relatório de Inflação, Ilan Goldfajn destacou que o crédito vem subindo no país, enquanto a inadimplência, as taxas de juros e o spread bancário estão caindo

Durante o evento, Goldfajn ainda destacou que o crédito está crescendo de forma sustentável e positiva no Brasil. O presidente do BC também ressaltou que a inadimplência vem caindo, assim como as taxas de juros e o spread bancário, termo que se refere à diferença entre a taxa de captação do dinheiro pelo banco e a cobrada dos clientes.

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De acordo com o Relatório de Inflação, a expectativa do BC para o crescimento do saldo das operações de crédito do sistema financeiro é de 4% neste ano, ante a projeção anterior de 3%. O resultado será puxado pelo crédito às famílias, com perspectiva de expansão de 7,5%.

Projeções para a Selic

Segundo o Boletim Focus divulgado no último dia 24, o Copom (Conselho de Política Monetária do Banco Central) deve manter a Selic em 6,5% ao ano pelo menos até o fim de 2018
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Segundo o Boletim Focus divulgado no último dia 24, o Copom (Conselho de Política Monetária do Banco Central) deve manter a Selic em 6,5% ao ano pelo menos até o fim de 2018

Em 2018, segundo o Boletim Focus divulgado no último dia 24, o Copom (Conselho de Política Monetária do Banco Central) deve manter a Selic em 6,5% ao ano. Para o ano que vem, a previsão é de que a taxa básica de juros da economia brasileira volte a subir e chegue a 8% ao ano.


*Com informações da Agência Brasil

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