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De acordo com a CNI, na verdade, a indústria faturou em junho somente parte das entregas que deveriam ter sido feitas em maio, mas que não foram recuperadas devido à paralisação dos caminhoneiros; confira dados

Faturamento da indústria sobre 26,4%  em um mês, mas cai no comparativo trimestral
Arquivo/Agência Brasil
Faturamento da indústria sobre 26,4% em um mês, mas cai no comparativo trimestral

paralisação dos caminhoneiros , que durou entre o final de maio e o início de junho deste ano, deixou consequências que ainda aparecem nos indicadores econômicos do País, meses depois. Um exemplo é o da pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quarta-feira (1), que revela um crescimento de 26,4% no faturamento da indústria, mas uma queda de 2,7% ao comparar o acumulado do segundo trimestre com o do primeiro trimestre de 2018.

Segundo a própria pesquisa, o forte crescimento do faturamento da indústria deve ser analisado com cautela. "Esse resultado [alta de 26,4%] excepcional é explicado pelo fim do represamento de embarques. Ao se comparar o faturamento acumulado no segundo trimestre com o do primeiro trimestre de 2018, aparece a queda de 2,7%”, destaca. 

Sendo assim, de acordo com a CNI, na verdade, a indústria faturou em junho somente parte das entregas que deveriam ter sido feita em maio, mas que não foram realizadas devido à paralisação dos caminhoneiros.

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Faturamento da indústria gera reflexo nos empregos

Faturamento da indústria que já era lenta piorou no segundo trimestre
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Faturamento da indústria que já era lenta piorou no segundo trimestre

O emprego no setor industrial caiu 0,2% em junho frente o mês anterior, na série livre de influências sazonais. Esse foi o segundo mês consecutivo de queda do indicador. Entretanto, no comparativo entre o primeiro semestre deste ano e o mesmo período de 2017, o emprego subiu 0,6% no setor industrial.

O Caged fez um balanço  apontando que somente a indústria de transformação perdeu 20.470 empregos no mês de junho. A pesquisa ainda apurou que, dos 12 ramos industriais observados pelo Ministério do Trabalho, 11 demitiram mais do que contrataram.

A indústria têxtil, a metalurgia e o setor de calçados tiveram os piores resultados, com -6.169, -3.427 e -3.334 postos de trabalho criados no período. O destaque positivo, ainda que contido, ficou para a indústria química de produtos farmacêuticos, veterinários e de perfumaria, que criou 1.013 empregos formais em junho, que confirma a queda de 0,2% apresentada pela CNI.

Além das problemáticas do emprego no setor industrial, a massa real de salários do setor também recuou 0,8% em junho frente a maio, também na série dessazonalizada. Trata-se da quarta queda consecutiva do indicador.

O gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, destaca que a recuperação do faturamento da indústria , que já era lenta piorou no segundo trimestre. “Além da piora do quadro externo, há aumento do nível de incerteza, com dúvidas sobre a política econômica a ser adotada a partir do resultado das eleições e sobre os desdobramentos da recente crise de transportes de carga rodoviária”, aponta Castelo Branco.