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Levantamento indica que, no dia de descontos, interesse de consumidores em sites de pequeno porte cresce mais do que em grandes lojas virtuais

Os lojistas deverão se preocupar ainda mais com descontos  e o serviço prestado para atrair clientes na próxima Black Friday. Esta é a avaliação de especialistas que participaram de evento realizado pela Loja Integrada e o  Mercado Pago em São Paulo. Segundo eles, o público já aderiu à data e deve gastar ainda mais, apesar do cenário econômico estar abaixo do esperado . A expectativa é que as grandes beneficiadas sejam as lojas virtuais de pequeno porte. 

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Prevista para ser realizado no dia 24 de novembro, a Black Friday de 2017 deverá movimentar cerca de R$ 2,2 bilhões, segundo projeção divulgada agosto pelo Google. O valor indica um crescimento entre 15% e 20% em relação ao registrado no ano passado. Somente na Loja Integrada, plataforma para criação de lojas virtuais voltada para pequenos empreendedores, a data deverá ajudar sua base de, aproximadamente, 20 mil lojistas a fechar o mês de novembro em cerca de R$ 60 milhões em faturamento.

Para Caiaffa, lojas virtuais de pequeno porte deverão registrar bons resultados durante a Black Friday
Victor Hugo Silva/Brasil Econômico
Para Caiaffa, lojas virtuais de pequeno porte deverão registrar bons resultados durante a Black Friday

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Para André Povoleri Caiaffa, diretor de novos negócios do Mercado Pago, os pequenos lojistas precisam oferecer comodidade aos clientes e não podem ter medo de apresentar descontos reais. "Se os descontos não forem relevantes, eles não serão aproveitados", explica. Isso porque muitos clientes já esperam a data com semanas de antecedência e sabem dizer quando um produto realmente possui um preço atrativo.

De acordo com levantamento realizado pelo Mercado Pago, 61% dos clientes aguardam a Black Friday para realizar um compra de forma planejada. O índice mostra que o período já está se tornando padrão para o varejo nacional. A pesquisa indica, ainda, que somente 16% dos consumidores não planejavam comprar nada, mas aproveitaram a oportunidade ao encontrar uma oferta interessante de última hora.

"A compra não é impulsiva, ela é planejada", diz Caiaffa, ao lembrar que uma parcela dos clientes aproveita o período para antecipar as compras de fim de ano. "As pessoas estão se preparando para comprar e estão dispostas a gastar", afirma. O levantamento do Mercado Pago também mostra que 45% dos clientes entrevistados esperam gastar mais de R$ 500, sendo itens de informática (44,1%), celulares (43,1%) e eletrodomésticos (29,4%) os três segmentos de produtos com a maior intenção de compra. Para ele, o resultado é esperado, já produtos desses setores costumam ter um preço médio um pouco mais elevado.

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Para 2017, a expectativa é que os setores de TV e vídeo (27%), eletroportáteis (24,7%) e games (21,5%) também apresentem crescimento nas vendas durante a Black Friday. Em seguida, estão os segmentos de equipamentos de áudio (21,1%), acessórios automotivos (19,7%) e brinquedos (14,1%). Em todos os setores, inclusive os não citados anteriormente,o índice aumenta quando é analisado o desejo dos consumidores de aguardar a Black Friday para realizar a compra.

Pequenos lojistas também ganham 

Apesar de muitos consumidores serem atraídos por lojas de maior porte, o dia de descontos pode ser um bom negócio para empresas menores. De acordo com dados do Google, essas lojas ganharam relevância neste período do ano. Em 2016, o número de visitas nas cinco maiores lojas cresceu 134% na sexta-feira de ofertas. Já em relação aos cinco principais sites de pequeno porte, a alta foi de 161%.

"Os principais impactados com a Black Friday são os sites pequenos", analisa Caiaffa. Para ele, este é mais um ponto que confirma a ideia de que lojistas menores precisam estar preparados. Entre as dicas oferecidas pelos especialistas, está o investimento em serviço, além dos preços baixos. O objetivo, segundo eles, é fazer com que o consumidor tenha certeza de que ele vai gastar menos tempo e energia para comprar um determinado produto. "Quem quer jogar o jogo do e-commerce tem que se preocupar com serviço", resume.

Prioridade para o cartão de crédito 

Os consumidores devem seguir uma tendência de compra e realizar os pagamentos de forma parcelada e sem juros  com o cartão de crédito. Segundo a pesquisa do Mercado Pago, 46,8% dos consumidores pretendem optar por essa opção. "O cartão de crédito tem uma relação simbiótica com o e-commerce", afirma.

Em seguida, está o pagamento à vista via boleto preferido por 35,4%  dos consultados. A alternativa de pagamento costuma oferecer descontos interessantes para os clientes. No entanto, pode causar problemas aos lojistas. Em muitas situações, os consumidores realizam pedidos em uma loja, mas não pagam até terem certeza de que não vou encontrar nenhuma oferta melhor. Se encontram um preço mais em conta, acabam cancelando o pedido anterior.

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A dica, neste caso, é evitar um desconto muito alto em relação ao boleto e priorizar as compras pelo cartão por meio de botões que priorizem essa opção na página e formas de pagamento que ofereçam mais vantagem. Estimativas do Mercado Pago apontam que, em períodos comuns do ano, cerca de 70% dos boletos são efetivamente pagos. Na Black Friday, o cenários se inverte: somente 30% dos boletos são pagos.

Dispositivos móveis em alta

Os dados também apontam um crescimento do uso de dispositivos móveis, isto é, smartphones e tablets, na pesquisa por ofertas. Em relação a todos os tipos de dispositivos, a participação destes aparelhos no volume de buscas passou de 35%, em 2015, para 45%, em 2016, de acordo com levantamento do Google. Ao mesmo tempo, a participação no número de vendas também registrou elevação no último ano.

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O índice passou de 13%, em 2015, para 20% no ano passado. Segundo os especialistas, o número indica que muitos consumidores pesquisam por um determinado produto no celular, por exemplo, mas só realizam a compra ao chegarem em um computador. O segredo é buscar formas de fazer com que cada vez mais vendas sejam realizadas por meio dos dispositivos móveis.

Para isso, é essencial fazer ajustes para que o site da loja virtual funcione bem em qualquer aparelho  e até mesmo oferecer descontos para comprar via celular. Outra indicação de especialistas para aumentar as vendas durante a Black Friday é aproveitar a base de clientes cadastrados. "O consumidor da sua base é um propagador muito barato para sua mensagem chegar a possíveis compradores", diz Caiaffa.

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