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Empresa norte-americana, acusada de "abuso de sua posição dominante" no campo de buscas no Google Shopping, anunciou que irá recorrer de decisão

Segundo a União Europeia, o Google dava vantagens ilegais para seu serviço de comparação de preço
Google/Divulgação
Segundo a União Europeia, o Google dava vantagens ilegais para seu serviço de comparação de preço

A União Europeia determinou, nesta terça-feira (27), uma multa de 2,42 bilhões de euros (o equivalente a US$ 2,7 bilhões, ou R$ 8,9 bilhões) contra o Google devido à acusação de "abuso de sua posição dominante" no campo de buscas no chamado "Google Shopping". Esse é o valor mais alto já aplicado para uma entidade a uma companhia.

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De acordo com a Comissão Europeia, que controla as regras de competição da União Europeia , o Google dava vantagens ilegais para seu serviço de comparação de preço, distorcendo assim a concorrência saudável entre as empresas. Tal decisão ocorre após sete anos de investigação sobre o caso.

A partir disso, a empresa norte-americana tem 90 dias para por fim à prática ou precisará enfrentar uma nova multa que pode chegar a até 5% do faturamento diário da holding Alphabet, que é parte do site.

Segundo a denúncia dos europeus, a empresa dá preferência ao seu serviço de compras mesmo quando as melhores alternativas são de concorrentes.

As opções do Google ficam em destaque, em uma barra superior, enquanto os serviços rivais aparecem na coluna de resultados genéricos. O Google, por sua vez, defende que organiza os resultados da busca de forma a facilitar os consumidores a encontrarem o que desejam. 

"As provas demonstram que os concorrentes só tem destaque na página quatro dos resultados", escreveu a Comissão. O problema é que os consumidores tendem a clicar nos resultados mais visíveis, ou seja, nos patrocinados.

Para os europeus, os números não deixam dúvidas, já que os resultados na primeira página tem 95% dos cliques dos usuários enquanto apenas 1,1% clicam naqueles que estão na página seguinte do site.

"A estratégia usada pelo Google para seus serviços de vendas não era apenas atrair os usuários tornando os seus produtos melhores do que os dos rivais. Ao invés disso, o Google abusou da sua posição dominante no mercado de buscas para promover o seu serviço de comparação de preços do shopping nos seus resultados, desclassificando seus concorrentes. E isso que foi feito é ilegal para as regras antitruste", disse a comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager.

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Para a comissária, a empresa "negou às fábricas a possibilidade de competir sobre seus méritos e de inovar" e "mais importante ainda, negou aos consumidores da União Europeia uma escolha genuína de serviços".

Vestager afirma ainda que a multa da Comissão "leva em consideração a duração e a gravidade da infração" e foi calculada com base nos valores de arrecadação que o Google teve em seu serviço.

Empresa vai recorrer

Após o anúncio da sentença, o Google informou que vai recorrer da decisão. "Não estamos respeitosamente de acordo com as conclusões anunciadas hoje", disse o vice-presidente sênior e conselheiro-geral da empresa norte-americana, Kent Walker.

De acordo com o executivo, a empresa "irá rever em detalhes a decisão da Comissão e estamos considerando entrar com recurso porque continuaremos a lutar pela nossa causa".

Walker afirmou ainda que os usuários, "quando compram online, querem encontrar os produtos que estão procurando de maneira rápida e fácil". E como os consumidores têm essa pressa, ao mesmo tempo, "os vendedores querem promover os mesmos produtos".

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"Por isso, que o Google mostra a publicidade para a compra, colocando em contato os nossos usuários com milhares de vendedores, grandes e pequenos, de maneira que seja útil para ambos", concluiu Walker, se contrapondo à decisão da União Europeia.

* Com informações da Agência Ansa.

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