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No ano o saldo negativo é de 86 mil postos de trabalho, mostra pesquisa da Fiesp e do Ciesp. Dos 22 setores, apenas 5 apresentaram resultados positivos

O levantamento mostra a perda acumulada de 29 mil postos de trabalho no terceiro semestre de 2016
Arquivo/Agência Brasil
O levantamento mostra a perda acumulada de 29 mil postos de trabalho no terceiro semestre de 2016

A indústria paulista perdeu 11,5 mil vagas de trabalho no mês de setembro deste ano, recuo de 0,51% em relação a agosto no nível de emprego, segundo revelou, nesta terça-feira (18), a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp e do Ciesp (Depecon).

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O levantamento mostra a perda acumulada de 29 mil postos de trabalho no terceiro semestre de 2016. No ano, os números chegam ao número de 86 mil. Segundo o diretor titular da Depecon, Paulo Francini, os dados divulgados mostram o ritmo de queda nos cortes das vagas, mas que ainda não existe estagnação.

“O que se quer é que não haja demissões”, destaca Francini. Ele também afirma que a previsão do Depecon é fechar 2016 com o saldo negativo de 165 mil vagas. Assim, ao somar as demissões deste ano com as 235 mil de 2015, a perda total atingirá 400 mil vagas em dois anos, dado que é considerado como uma “tragédia” pelo diretor da instituição.

Na análise do especialista, a queda acumulada do PIB brasileiro, de cerca de 8% entre 2015 e 2016, é semelhante ao que ocorre em países em guerra, o que explica as implicações negativas à sociedade.

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O número de cortes de empregos neste mês de setembro só é menor do que o mesmo período do ano passado, quando houve recorde na série histórica iniciada em 2006.

Setores

No total, a pesquisa observou 22 setores da indústria paulista. Destes, houve queda do nível de emprego em treze, o equivalente a 59%. Além disso, quatro permaneceram estáveis, e cinco apresentaram comportamento positivo.

Em relação ao encontrado no ano passado, a distribuição dos cortes foi diferente da observada em 2015, quando 19 setores apresentaram números negativos – enquanto apenas 1 mostrou estabilidade e outros dois ficaram com dados positivos.

Para Francini, não é possível citar nenhum setor como destaque neste mês de setembro.

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Em valores absolutos, o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias foi o que mais demitiu em setembro (saldo negativo de 3.108 vagas). Em máquinas e equipamentos, o corte foi de 2.714 postos de trabalho. Entre os setores que tiveram mais contratações que demissões, o primeiro é o de produtos minerais não metálicos (174 vagas).

Das 36 diretorias regionais em que se divide a pesquisa da Fiesp e do Ciesp, 25, ou seja, 70% tiveram desempenho negativo no mês de setembro, sendo que 10 tiveram resultados positivos, e um permaneceu estável. A maior variação negativa (de -4,14%) ocorreu em Santo André. E a cidade de Matão teve a maior alta (2,6%) nos postos de trabalho .

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