Tamanho do texto

Comitê de Política Monetária do Banco Central se reunirá nesta terça e quarta-feira para decidir taxa Selic; especialistas esperam queda de 0,25%

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC de controle da inflação do País
iStock
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC de controle da inflação do País

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deu início nesta terça-feira (18) à penúltima reunião deste ano a fim de definir a taxa básica de juros, a Selic. A decisão será anunciada nesta quarta-feira (19), por volta de 18h, após a segunda parte da reunião ser finalizada.

+ Entenda a taxa Selic: o que é, como é feito o cálculo e mais

Na manhã desta terça, o presidente do BC, Ilan Goldfajn se reuniu com os diretores para fazer a análise de mercado. Depois disso, eles seguem para a chamada análise de conjuntura, ainda na tarde de hoje. No segundo dia de reunião, após análise da perspectiva para a inflação e das alternativas para a Selic , a diretoria do BC define a taxa.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC de controle da inflação do País, pois é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Quando o Copom decide aumentar essa taxa, tem como meta conter a demanda aquecida do mercado, gerando reflexos nos preços, já que, dessa maneira, os juros ficam mais altos e encarecem o crédito, estimulando a poupança.

Já quando o Copom decide reduzir a taxa de juros, espera deixar o crédito mais barato, incentivando tanto a produção quanto o consumo, aliviando o controle sobre a inflação. Por outro lado, quando é decidido manter a Selic, o comitê considera que os ajustes realizados anteriormente são satisfatórios para alcançar o controle da inflação.

+ Demanda do consumidor por crédito cai 3,6% em setembro, aponta Serasa Experian

A taxa básica de juros do Brasil se mantém em 14,25% desde o mês de julho do ano passado, quando alcançou o maior nível desde outubro de 2006. As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central esperam que a Selic seja reduzida para 14% ao ano na reunião que acontece nesta terça e quarta-feira. Além disso, é esperada mais uma queda da taxa ainda este ano, na última reunião do Copom, que será feita em novembro. Para os especialistas, ela deve atingir 13,5% ao ano.

De acordo com o economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec, Alexandre Espirito Santo, que conversou com a Agência Brasil, o Copom deve iniciar um ciclo de redução dos juros, com corte de 0,25%. “Nossa expectativa é de uma redução de 0,25%, que iniciará um longo movimento de queda, que se estenderá por todo ano que vem”, avaliou.

Para o especialista, a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 241) que limita os gastos do governo por 20 anos é um fator que deve ser considerado pelo Banco Central para a decisão a ser tomada nestes dois dias.

“Precisamos voltar à responsabilidade fiscal, escanteada nos últimos anos. Podem-se questionar alguns pontos da PEC, como o prazo, por exemplo, mas a direção é essa”, destacou. Mas para ele, outras reformas serão necessárias, como a da previdência, para que haja reequilíbrio das contas públicas no longo prazo.

+ Redução na taxa Selic terá efeito pequeno nos juros do crédito

Ademais, Alexandre afirmou que a redução nos preços dos alimentos e a queda nos preços dos combustíveis, que foi anunciada na última sexta-feira (14) pela Petrobras, são fatores fundamentais que “autorizam” o BC a iniciar o ciclo de redução da taxa básica.

Com isso, o especialista acredita que ao longo do próximo ano, a taxa Selic deve cair e encerrar o período em 10,5% ou até 10% ao ano. “Apesar da queda, ainda assim teremos taxas elevadas no Brasil. O desafio é recuperar os investimentos produtivos para que o emprego retorne, e a taxa de desemprego passe a cair. Sem queda importante de juros isso não ocorrerá”, finalizou.