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Atenção! Se você está assistindo ou tem intenção de assistir ao seriado da Netflix e não quer encontrar “spoilers”, melhor não continuar...

Brasil Econômico

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Independentemente da empresa em que você trabalha, da área em que atua ou, mesmo, do local no mundo onde vive, é certo que encontrará diversos tipos de perfis de profissionais ao seu redor. Por isso, lidar com pessoas pode ser um desafio diário. Entre tantos, existe um tipo de profissional que, até mesmo para líderes experientes, acaba sendo difícil de identificar – que é o manipulador. Uma das personagens modernas que pode ser lembrada nesse sentido é o presidente Frank Underwood, do seriado americano House of Cards.

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Para quem assiste ou já assistiu às temporadas da série de drama realizada pela Netflix, House of Cards , sabe que Underwood é o típico manipulador: ele solicita ajuda, sabe se aproveitar das situações e das pessoas, e se aproveita de emoções alheias. Essas são algumas das características presentes neste tipo de personalidade, que é perigosa.

Para ajudar gestores – e demais profissionais – a identificar manipuladores dentro de sua equipe e empresa, o diretor de RH e sócio-fundador da Iteris Consultoria & Software, Marcelo dos Santos, traçou um paralelo entre esse tipo de profissional do mundo corporativo e Frank Underwood.

Além disso, o especialista mostra como algumas ações de Frank Underwood, na série, faz demonstrações de uma pessoa “manipuladora” - e como elas poderiam ter sido evitadas pelo seu “líder”, o personagem Garret Walker (presidente dos USA). Veja algumas ações típicas:

“Rei dos Favores”

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É claro que existem muitas pessoas bem intencionadas – que fazem favores aos colegas de trabalho sem esperar algo em troca. Contudo, o manipulador se destaca por essa característica, já que está sempre pronto para ajudar as pessoas de uma maneira “compulsiva”. Só que, ao contrário das outras pessoas, sempre sabem requerer o favor em troca no momento certo.

No ambiente corporativo, procuram ajudar aqueles que têm mais proximidade e confiança dos gestores, além daquele tipo mais fácil de ser “levado”.

No seriado, Frank Underwood está recorrentemente ajudando pessoas ao seu redor. Um dos exemplos disso é quando ele percebe que Linda Vasquez (Chefe de Gabinete do presidente Walker) está com dificuldades em matricular o seu filho em uma universidade americana de prestígio, seu grande sonho. Nesse momento, não pensa duas vezes e arruma um jeito de conseguir o que Linda quer. Como ela conhece o político, tenta prevenir algum problema, afirmando que não poderá ser cobrada depois por isso.

Mas, advinha? Como um bom manipulador, ele afirma que não irá querer nada em troca, o que, mais futuramente, acaba se mostrando uma bela mentira...

“Adulador de primeira categoria”

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A habilidade de adular os colegas é uma das mais interessantes no perfil do profissional manipulador. Afinal, ele consegue facilmente levantar o ego da outra pessoa, ganhando sua confiança.

Na ficção, o político da Casa Branca mostra, por diversas vezes, que sabe jogar com a vaidade alheia. Um exemplo é quando ele convence a senadora Catherine Durant a assumir o Departamento de Estado dos USA. No começo, ela se mostra reticente em aceitar, porém Frank a cobre de elogios até que ela ceda e aceite o cargo.

Outro caso é do vice-presidente Jim Matthews, que cai na adulação de Underwood e acaba renunciando ao cargo para se candidatar novamente ao governo da Pensilvânia, já que “é muito querido pelo povo do seu Estado”.

“Falso discreto”

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O manipulador geralmente esconde informações pessoais. Assim, dificilmente você conseguirá checar seu histórico profissional, já que ele desconversa ao ter que responder sobre suas ações, pensamentos, opiniões etc. Por outro lado, ele vai querer saber tudo sobre você, desde o lado profissional até a sua intimidade. Grandes manipuladores conseguem que outra pessoa confesse o que querem sem nem perceber.

Nesse sentido, podemos citar a personagem Zoe Barnes, uma jornalista ambiciosa que não mede esforços para ter um furo de reportagem e, por isso, acaba se envolvendo com Underwood e, sem perceber, é manipulada por ele com maestria.

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Obviamente que o político a descarta depois de ela já ter sido útil para os seus propósitos, fazendo o possível para que não tenha o mínimo de informações a respeito dele.

“A sombra”

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Honestidade, transparência e responsabilidade não são características de um manipulador. Sempre que possível, ele vai agir como uma “sombra”, desaparecendo sob os olhos dos gestores e dos colegas. Frequentemente, utiliza outras pessoas para obter dados de sua próxima “vítima”, não “dando muito na cara” o que anda tramando. 

Por isso, como se fosse “do nada”, a equipe estará enredada em suposições, envolvida em fofocas sobre alguém... E nunca se saberá de onde veio isso tudo.

Raymond Tusk é um grande empresário e conselheiro do presidente Walker na série. Ele fica responsável por analisar se Frank Underwood poderia ser alguém adequado para ocupar a vice-presidência. Mesmo sendo um empresário sem escrúpulos e extremamente ambicioso, cai na teia de Frank Underwood – que age nas sombras e consegue envolver Tusk em fofocas, manipulando, tornando a situação ao seu favor e fazendo que o presidente Walker termine a amizade com o empresário.

Linda Vasquez é outra pessoa de extrema confiança do presidente que acaba enredada em suposições junto ao presidente Walker, e o presidente acaba a demitindo.  

“Mestre das emoções”

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Este é outro recurso que o manipulador usa com maestria: devemos lembrar que os sentimentos, quando são intensos, acabam nos impedindo de agir ou pensar com clareza. Dessa maneira, os manipuladores podem usar tanto o medo quanto a culpa alheia, por exemplo, para pressioná-los.

Mesmo quando é descoberto ou confrontado, o manipulador sabe como ninguém apelar para o sentimento de perdão e gratidão das pessoas.

Uma das principais cenas nesta série da Netflix nesse sentido, é aquela em que o presidente Walker confronta Underwood sobre suas atitudes, pois tinha acabado de descobrir que Frank era um grande manipulador. Como um mestre em manipular as emoções alheias, Frank usa a máquina de escrever que seu pai lhe deu na infância para escrever uma carta ao presidente com o intuito de emocioná-lo e reafirmar sua fidelidade, o que acaba funcionando.

Por fim, um dos principais objetivos do manipulador é isolar sua vítima das pessoas de sua confiança, o que faz com que ele se transforme na única pessoa de confiança de sua vítima. Na ficção, Walker ficou tão isolado e, quando precisou, só tinha o “apoio” de Frank Underwood.

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É claro que, como um bom gestor ou profissional, você não deve levar tudo ao pé da letra – ou seja, quando receber um elogio, quando encontrar alguém discreto ou quando não conseguir contar com muitas pessoas, não necessariamente estará lidando com um profissional manipulador. Assim como em House of Cards , para considerar um colega com um perfil assim é preciso que comportamentos sejam frequentes, recorrentes. Se desconfiar, coloque um pé atrás, pois, senão, terá um fim parecido com o de Walker...

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