Tamanho do texto

Estudo realizado por multinacional holandesa no Brasil mostra que, nos últimos seis meses, 67% dos profissionais ficaram no mesmo cargo e empresa

Profissionais brasileiros ouvidos foram mais arrojados nas mudanças internas de emprego que no trimestre passado
iStock
Profissionais brasileiros ouvidos foram mais arrojados nas mudanças internas de emprego que no trimestre passado

Segundo o estudo promovido pela Randstad, multinacional holandesa de soluções em RH, 67% dos profissionais consultados no Brasil permaneceram no mesmo cargo e empresa, e 9% migraram para uma nova atividade, no mesmo empregador

A fornecedora global de soluções em Recursos Humanos, Randstad, revelou nesta sexta-feira (23) que 24% dos profissionais brasileiros mudaram de emprego nos últimos seis meses, sendo que 67% permaneceram no mesmo cargo e na mesma empresa, e os outros 9% tiveram mudança no cargo , mas não do empregador.

Já o extrato dos que resolveram trocar de empregador caiu de 27% para 24%. Dentro deste grupo estão as pessoas que foram para outras companhias na mesma posição que ocupavam anteriormente (18%) e os que passaram a realizar novas atividades no novo empregador (6%).

Em análise, pode-se concluir que, se por um lado os profissionais brasileiros ouvidos pela pesquisa foram mais arrojados nas mudanças internas com relação ao trimestre passado, trocando mais de cargos, com um crescimento de 2% neste percentual, há também os que não fizeram nenhum tipo de movimento e representam 6% do público local participante, frente aos 10% registrados na mostra anterior.

Os países que mantiveram índices parecidos com o do Brasil no que diz respeito aos profissionais que não passaram por mudanças de empresa ou cargo de atuação são os Estados Unidos (68%) e a China (66%). Nestas mesmas duas nações, o percentual de pessoas que trocaram de empregador também se aproxima ao notado entre os brasileiros, sendo que, nos Estados Unidos a taxa alcançou 25% e na China chegou a 23%.

+ Acabou de sair da faculdade? Veja como ser bem sucedido no primeiro emprego

 A pesquisa realizada trimestralmente pela Randstad levanta junto a um público composto por ao menos 400 profissionais empregados, com idade entre 18 e 65 anos, em cada um dos 34 países que fazem parte da iniciativa, o índice de mobilidade no mercado de trabalho nos últimos seis meses.

Pesquisa anterior

Uma pesquisa divulgada no primeiro semestre deste ano pela mesma empresa revelou que 74% dos profissionais brasileiros disseram estão satisfeitos em seu trabalho atual. Segundo o estudo, entre os meses de abril e maio de 2016, apenas 8% dos profissionais consultados estariam insatisfeitos no trabalho/posição profissional que ocupavam no momento. Além disso, 18% se posicionaram de forma neutra.

A amostragem de satisfeitos no País é equivalente à encontrada na Bélgica e também próxima aos índices verificados na Suíça e no Canadá, ambos com 75%, e na Holanda, onde o total de profissionais foi de 76%.

Já o grupo de insatisfeitos é liderado pelos profissionais japoneses de maneira disparada: 22% afirmaram não gostar do atual cargo, contra 43% que responderam de forma positiva. Ainda no levantamento feito entre abril e maio, 32% escolheram a opção ‘neutro’ e 3% disseram não saber.

Um dos destaques desta pesquisa é a quantidade de entrevistados brasileiros insatisfeitos ou muito insatisfeitos, que foi de 8%. Tendo em vista que o estudo foi realizado em 34 países, e somente dez deles tiveram o resultado abaixo de 8% neste quesito, pode-se concluir que os profissionais no Brasil não estão entre os mais descontentes.

Mobilidade no trabalho

É interessante traçar um paralelo sobre o comportamento do brasileiro no trabalho. De acordo com um outro estudo realizado pela Randstad, divulgada em meados de junho, ainda nos mesmos 34 países avaliados, o Brasil está em 4º lugar no ranking de mobilidade no trabalho.

Para a pesquisa foram consideradas trocas de empresa, de função ou, mesmo, das duas coisas.

Segundo os dados do estudo, 34% dos profissionais brasileiros tiveram alguma mudança na carreira durante o primeiro semestre de 2016. Em contrapartida, pouco mais de 65% permaneceram no mesmo cargo e na mesma empresa.

+ Entrevista de emprego no meio do expediente? Saiba o que dizer e o que evitar

A iniciativa de arriscar-se, apostando em uma mudança total, ou seja, começar um cargo diferente em um empregador novo, foi a opção de 10% dos entrevistados no País. Ainda dentro da mudança, 7% somente migraram para outro cargo, porém ficaram na mesma empresa. Para se ter ideia, o índice na Índia mostrou-se bem parecido ao do Brasil, com 9%.

Para comparação: em Luxemburgo, por exemplo, 95% dos entrevistados não mudaram nada na carreira nos últimos 6 meses. Já na Índia, 51% não mudaram de emprego  (função e empregador).  Nos países pesquisados, foram entrevistados pelo menos 400 profissionais, com idades entre 18 e 65 anos, que trabalham minimamente 24 horas por semana para algum empregador.