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Crescimento do e-commerce e de novas tecnologias faz ideia de cartões 100% integrados aos celulares ganhar força

Levantamento mostra que no primeiro semestre deste ano, cartões de crédito responderam por 28,1% do consumo das famílias
Marcos Santos/USP Imagens
Levantamento mostra que no primeiro semestre deste ano, cartões de crédito responderam por 28,1% do consumo das famílias

Já imaginou um mundo sem o cartão de crédito de plástico? Segundo executivos do banco Itaú, essa realidade pode estar bastante próxima. A estimativa do banco é de que cada vez mais se coloque o cartão de crédito no meio online e no mobile, transformando-o em algo totalmente digital, tendo em vista os avanços deste meio. Mas o que essas novas tecnologias significam para o consumidor? Como afetam a segurança das transações?

Um levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostra que no primeiro semestre deste ano, os cartões de crédito responderam por 28,1% do consumo das famílias, e uma pesquisa de julho da associação mostra que 87% das pessoas usaram cartão para compras na internet, o que demonstra a presença que este recurso possui no Brasil.

A ideia agora é incorporar o cartão ao online de forma com que as pessoas sejam capazes de realizar compras utilizando seus smartphones como um cartão de crédito, alterando a maneira como os consumidores se relacionam com o consumo. O Itaú é um dos bancos que tem investido nessa questão, com o lançamento de um “cartão virtual” que permite que o consumidor use um aplicativo no celular para realizar transações.

Crescimento do e-commerce é um dos fatores para mudanças

As compras e vendas realizadas por meio da internet tem se intensificado. Segundo uma pesquisa realiza pelo E-bit, o e-commerce brasileiro registrou um aumento nominal de 16% no primeiro semestre de 2015, em relação ao mesmo período em 2014, obtendo um faturamento de R$ 18,6 bilhões.

Para o diretor da área de cartões do Itaú Unibanco, Marcos Magalhães, afirma que a ideia de trazer o cartão de crédito totalmente para o meio digital está sim ligada ao crescimento do e-commerce, mas ele ressalta que existem ainda outros fatores. “São duas coisas: a segurança e a conveniência. O cartão ‘virtual’ já dispensa por si só o uso do plástico, então você não precisa tirar seu cartão da carteira para fazer uma compra. Além disso, ele não pode ser utilizado no futuro por fraudadores”, afirma, esclarecendo que o cartão virtual funciona gerando um número que é utilizado para efetuar uma compra específica. Após a transação, o número se torna inválido, impedindo que ele seja utilizado novamente, o que segundo Magalhães impediria que o cartão fosse usado em ocasiões futuras por fraudadores.

Segundo uma pesquisa realiza pelo E-bit, o e-commerce brasileiro registrou um aumento nominal de 16% no primeiro semestre de 2015, em relação ao mesmo período em 2014
iStock
Segundo uma pesquisa realiza pelo E-bit, o e-commerce brasileiro registrou um aumento nominal de 16% no primeiro semestre de 2015, em relação ao mesmo período em 2014

Para Magalhães, o cartão já passou por uma importante transformação quando houve a incorporação do chip nos cartões, eliminado a necessidade das pessoas assinarem os comprovantes. Agora, ele acredita que o cartão está passando por uma segunda transformação: justamente, sua incorporação no meio digital. “Não só o uso do cartão como meio de pagamento digital, sendo que na verdade o cartão de crédito é o grande viabilizador do comércio eletrônico, mas a revolução é justamente essa do consumidor final ter uma alternativa além do plástico. Uma carteira digital ou próprio celular é que vão fazer o último contato no varejo”, diz Magalhães.

Apesar desse cenário, o diretor ressalta que o comércio eletrônico ainda representa uma parcela muito pequena do varejo no País, em torno de 6%. Ele aponta que a perspectiva dessa realidade é de crescimento e que logo a prática irá ocupar um espaço “enorme”, mas não acredita que o comércio deixará de ser físico para ser digital. “Por outro lado é interessante ver que a transação, o meio de pagamento, terá uma evolução para o digital, com soluções digitais que ocorrem no mundo físico”, complementa.

Se o cartão for 100% digital, como fica a segurança do consumidor?  

Na internet, não são incomuns relatos de crimes envolvendo cartões de créditos, como fraudes e clonagens. A coordenadora de área do Procon-SP, Renata Reis, afirma que não é possível ter uma dimensão completa dos possíveis impactos que a tecnologia poderia trazer para clientes sem antes conhecer bem a tecnologia, algo que ela passa como dica para os usuários. “É importante o consumidor entender profundamente como o novo serviço funciona antes de utilizá-lo. Quais são as regras, o que ele precisa ter de dispositivo eletrônico para usar o serviço além de cercar das recomendações que o fornecedor faz”, explica.

Renata também comenta que existe uma percepção de que por mais que os bancos invistam em segurança, os criminosos da internet também tentam seguir os desenvolvimentos para conseguirem quebrar os sistemas e encontrar brechas para aplicarem golpes. “Para o consumidor só resta conhecer e utilizar a tecnologia conforme o recomendado, o que não exime a responsabilidade do banco”, esclarece dizendo que a empresa precisa fornecer segurança e que o consumidor que no futuro possa decidir optar por esse serviço precisa acompanhar com cautela as transações.

O diretor da área de cartões do Itaú Unibanco, Marcos Magalhães, afirma que o banco tem se comprometido e investido em métodos de segurança para os clientes. “Temos uma série de ferramentas para permitir que as transações sejam cada vez mais seguras e evitar delitos”, relata.

Especialista reconhece tendência da entrada do cartão no mobile

Para o especialista em crimes cibernéticos Higor Nogueira Jorge, é possível perceber que a plataforma mobile cresce como objeto para práticas de comércio e que no futuro, assim como o cheque foi, de certa forma, substituído pelo cartão, não demorará muito para que ocorra uma intensificação desse tipo de plataforma, substituindo também os cartões. Diante desse cenário, o profissional levanta uma questão. “O desafio é conscientizar as pessoas da importância de adotar alguns comportamentos de segurança com o celular. O celular precisa ter um bom antivírus, por exemplo, ter um bloqueio de tela com senha, ter um programa de localização do aparelho, etc.”.

Segundo ele, as novas possibilidades não representam um perigo maior, seria apenas uma mudança nos instrumentos para realizar transações comerciais.  Ele diz que o importante, é que as pessoas tenham a mesma preocupação com a segurança que têm em outras situações, tendo em vista as peculiaridades do cartão digital. Ele também defende que o consumidor precisa conhecer mais sobre a plataforma que utiliza. “Não é necessariamente preciso adotar mais cuidados, e sim adotar os cuidados mínimos e entender melhor o meio que está utilizando”, discorre.

É preciso tomar cuidado ao realizar compras na internet

Segundo Marcos Magalhães, a palavra final sobre o fim ou não do cartão de plástico será dos consumidores. Apesar disso, ao realizar transações online, é importante que o consumidor tenha alguns cuidados para evitar possíveis golpes. Renata Reis explica que o cliente precisa sempre verificar com quem ele comercializa e ter confiança no estabelecimento. “É preferível focar em empresas conhecidas, que possuem serviços de atendimento ao cliente. Também se deve desconfiar de ofertas muito vantajosas, que normalmente são um ‘chamariz’ para o consumidor, e na verdade muitas vezes a empresa não cumpre o que promete”.

Ela também adverte que é complicado obter provas das transações realizadas na web. Portanto, a pesquisa prévia para saber se o comerciante é confiável é imprecindível. Ela também ressalta que os bancos devem auxiliar as pessoas que possivelmente para perderam valores para que possam recuperá-los, por exemplo. "As empresas possuem responsabilidade e não podem ficar isoladas nesse sentido", completa.

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