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Samuel Moreira (PSDB-SP) disse que Congresso continuará trabalhando para aprovar medida independente das ameaças do ministro da Economia

Samuel Moreira
Divulgação/Agência Câmara
Samuel Moreira (PSDB-SP) não se sente pressionado por Paulo Guedes


O deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), relator da reforma da Previdência na Comissão Especial que analisa o projeto, disse que os parlamentares não se sentiram pressionados pelas declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a possibilidade de o Congresso aprovar uma reforma desidratada. Em entrevista à revista “Veja”, Guedes disse que deixaria o cargo, caso o texto se transformasse no que chamou de “reforminha”. 

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"Não me sinto nem um pouco pressionado pelo Paulo Guedes , e tenho certeza que os deputados da Câmara Federal não se sentem pressionados. São poderes independentes, que devem ter harmonia. Especialmente nesse aspecto da reforma devem trabalhar juntos", disse Moreira a jornalistas, na Câmara.

Para ele, as declarações do ministro não devem contaminar o andamento da reforma na Casa. A expectativa é que o colegiado faça audiências públicas sobre a medida até o fim do mês e, depois, inicie o processo de apresentação de emendas e votação. Os parlamentares já sinalizaram que pretendem alterar o texto enviado pelo Executivo para aliviar algumas mudanças.

"Acho que não contamina. Aliás, essa é uma conversa talvez dele com o presidente. Quem manda no cargo do Paulo Guedes é ele e o presidente da República", acrescentou o parlamentar.

De acordo com o relator, apesar das alterações, a expectativa é manter a economia de cerca de R$ 1 trilhão prevista com a medida.

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"Sempre tivemos a meta de mais de R$ 1 trilhão por convicção. Coincidiu com a meta do governo, porque ela faz sentido, ela é coerente. Vou continuar perseguindo esta meta. Não vamos abrir mão desta meta, porque ela é importante para o equilíbrio das contas do governo", pontuou o deputado.

Na semana passada, o presidente da Comissão Especial da Previdência , Marcelo Ramos (PR-AM), disse que o parlamento trabalha em um “texto alternativo”, ao se referir às mudanças que os deputados pretendem aprovar no colegiado. O relatório deve retirar do texto as regras mais duras para acesso ao benefício de prestação continuada (BPC), pago a idosos carentes, além de rever mudanças nas aposentadorias especiais de professores e trabalhadores rurais.

Os parlamentares também não concordam com a retirada da Constituição das regras de aposentadoria e têm restrições ao novo regime de capitalização proposto por Guedes , em que cada trabalhador contribuiria para a própria poupança no futuro.