
Com a chegada das férias de final de ano, muita gente planeja sua tão sonhada viagem. Apesar do clima de alegria, uma onda de preocupação atinge aqueles que estão com passagem marcada para um destino específico: os Estados Unidos.
Tudo isso por causa das seguidas altas registradas no dólar, que recentemente chegou à incrível cotação de R$ 6,08, um recorde jamais registrado na história. Somente em 2024, a moeda norte-americana contou com um avanço de 25,34%.
Além de lugares incríveis para visitar, sabemos que boa parte das pessoas que vão para lá querem aproveitar para comprar itens com valores mais em conta ou que não estão disponíveis no mercado brasileiro. Com a moeda tão em alta, será que ainda vale planejar uma viagem para os EUA e ir às compras?
Estivemos em Orlando recentemente, famosa por ser a cidade dos maiores parques dos EUA, e notamos alguns produtos que no Brasil são vistos como voltados apenas para aqueles com melhores condições financeiras, mas que por lá podem ser adquiridos por qualquer pessoa. Ficou curioso? Então acompanhe todo o texto que vamos te falar quais são os produtos que valem mais a pena.
Itens de tecnologia
Não tinha como começar essa lista sem ser com o celular mais falado e procurado do momento: o iPhone. Ele é o sonho de consumo de muitos e chega a causar filas que dão voltas em quarteirões sempre que a Apple resolve lançar um modelo novo. Quando éramos bolsistas em um colégio particular e não tínhamos dinheiro, era comum olhar para um colega que tinha iPhone, mesmo que fosse o mais simples, e pensar que ele era de família rica e seus pais tinham os melhores trabalhos para conseguir pagar um aparelho como este.
Se naquela época o iPhone já era visto como algo só para gente rica, hoje os valores estão ainda mais altos. O modelo mais atual e mais completo, o iPhone 16 Pro Max com 256 GB, está custando cerca de R$ 10 mil por aqui. Considerando que o salário mínimo no país é de R$ 1.412,00, a pessoa precisaria de mais de 8 meses de trabalho, sem gastar nenhum real, para conseguir comprar esse smartphone.
Já nos EUA, vimos o mesmo telefone custando US$ 1.200,00. Com o dólar acima de seis reais, o poder de compra do brasileiro acabou diminuindo drasticamente, mas mesmo assim ainda sai com um valor melhor, comparado aos preços encontrados em nosso mercado.
Se no Brasil é preciso juntar dinheiro por um bom tempo para comprar um iPhone, os norte-americanos, mesmo aqueles com as menores rendas, conseguem adquirir o produto de forma bem mais rápida. Até o final do ano passado, a média salarial do país era de US$ 4.949 mensais. Ou seja, é possível adquirir o seu aparelho novinho na loja somente com os ganhos do mês e ainda pagar as demais despesas com tranquilidade.
Produto de desejo dos gamers, já faz quase quatro anos que o Playstation 5 foi lançado oficialmente pela Sony, mas esse videogame de última geração continua custando “o olho da cara” em solo tupiniquim: cerca de R$ 3.500,00. Já lá na terra do Tio Sam, o preço médio é de US$ 400.
Já um computador gamer, que é uma verdadeira luta para conseguir dentro de um valor mais acessível no Brasil, o norte-americano consegue juntar as peças e montar do jeito que quiser ou então comprar pronto com cerca de US$ 2.000,00. Enquanto isso, com o mesmo valor, só que em reais, não é possível nem comprar uma placa-mãe ou um notebook gamer do mais simples.
Outro produto desejado por muitos brasileiros é aquela televisã o para assistir seus filmes, séries e o jogo do seu time de coração. Durante a nossa estadia nos EUA, fomos ao Walmart e vimos modelos que davam para ser adquiridos por apenas US$ 200.
Roupas e alimentação
Para comprar roupas de marca e acessórios mais em conta, os outlet são as melhores opções nos EUA. Esses estabelecimentos vendem peças em torno de US$ 70, só é preciso garimpar bem. Marcas como Louis Vuitton, Gucci e Dior, que são consideradas de luxo no Brasil, podem ser vistas por lá com mais frequência.
Agora vamos falar sobre comida, principalmente as “besteiras”, como salgadinho, refrigerante, sorvete e guloseimas, que muitas vezes ficam de fora na lista de supermercado dos brasileiros. Por outro lado, nos EUA esses alimentos são extremamente baratos.
Aquele pote de sorvete da Ben & Jerry's que no Brasil custa mais de R$ 50, lá encontramos por até US$ 5. A lata de Coca-Cola sai por menos de 50 centavos a unidade. Até lembramos de quando éramos criança e a ida ao McDonald's era um verdadeiro evento a ser comemorado. Em solo americano, a rede de fast-food é bem mais em conta, sendo possível comprar um lanche completo por somente US$ 5.
Porém, para outros tipos de alimentos, percebemos que alguns produtos são bem mais caros. Isso vale para legumes, verduras e alguns tipos de peixes, como o salmão, que fazem a manutenção de uma vida saudável.
Automóveis
Apesar de ser mais difícil de importar, vale a pena comparar o preço dos automóveis nos dois países. Esse bem material que é acessível para qualquer americano, hoje está sendo um item de luxo para os brasileiros. Aqui, um modelo 0km mais barato, como o Renault Kwid, está saindo na faixa dos R$ 70 mil, ou seja, seriam 46 salários mínimos necessários para comprar esse veículo.
Até mesmo se você optar por um modelo mais popular, com muitos anos de uso, dificilmente conseguirá achar uma opção abaixo dos R$ 15 mil. São cerca de 10 salários mínimos. E depois de conseguir comprar o carro, é preciso considerar outros gastos que no Brasil são muito caros, como o preço da gasolina para encher o tanque e o IPVA. Em São Paulo, por exemplo, a taxa é de 4% do preço do carro na tabela FIPE.
Nos Estados Unidos, os impostos são mais baixos e, ainda por cima, é possível conseguir um modelo bem mais barato. Um Chevrolet Cruze 2017, por exemplo, pode ser encontrado por US$ 6 mil. Nós alugamos um carro durante a nossa estadia e com US$ 40 foi possível encher o tanque, enquanto isso no Brasil para fazer o mesmo lá se vão entre R$ 200 e R$ 300.
É claro que se a gente for converter, os valores acabam sendo parecidos, porém, deve-se considerar que o americano ganha em dólar e que o salário mínimo estadual nos EUA é de US$ 7,25 a hora. Logo, com cinco horinhas de trabalho já é possível encher o tanque.
Falamos aqui dos preços que são mais vantajosos nos EUA, mas na hora de pensar em sua viagem, é preciso ficar atento ao seu bolso, planejar financeiramente os seus gastos e considerar todas as vantagens e desvantagens. Boa sorte nessa empreitada!