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Censo mostrou um avanço dos candidatos da esquerda, como Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), o que pode ter frustrado os investidores

Geraldo Alckmin (PSDB), considerado o
Getty Images
Geraldo Alckmin (PSDB), considerado o "candidato do mercado", subiu apenas um ponto percentual em relação à pesquisa Datafolha anterior, passando de 9% para 10%

Com o mercado ainda absorvendo os resultados da última pesquisa Datafolha divulgada na noite de ontem (10), o Ibovespa caiu 2,82% e chegou a 74.275 pontos durante o dia. A cotação do dólar também reagiu ao censo, atingindo o máximo de R$ 4,1774 na manhã desta terça-feira (11).

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Em linhas gerais, o Datafolha mostrou um avanço dos presidenciáveis da esquerda. Ciro Gomes, do PDT, apareceu em segundo lugar na disputa pela Presidência, chegando a 13% das intenções de voto. Fernando Haddad, confirmado como substituto de Lula pelo PT , saltou de 4% para 9% e agora está tecnicamente empatado com Ciro, Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede).

O tucano, considerado o "candidato do mercado" por ser visto como um nome mais reformista, não deslanchou nas pesquisas de intenção de voto. Mesmo dominando 44% do tempo de propaganda eleitoral na TV, Alckmin subiu apenas um ponto percentual em relação ao censo anterior, passando de 9% para 10%.

Jair Bolsonaro (PSL) ainda segue na liderança com 24% das intenções de voto, dois pontos percentuais a mais do que havia registrado na pesquisa Datafolha antecedente. Investidores chegaram a acreditar que o ataque a faca sofrido pelo presidenciável na última quinta-feira (6) poderia enfraquecer a esquerda e alavancar sua candidatura, mas acabaram frustrados.

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O incidente, segundo destacou o relatório da Rico Investimentos divulgado hoje, também não foi suficiente para frear a alta da rejeição a Bolsonaro, que saltou de 39% para 43%. Para a consultora de investimentos, porém, é importante esperar "uma segunda e até uma terceira pesquisa depois do evento" para definir uma tendência.

Influência internacional

Além do Datafolha, o mercado também monitora o cenário externo, onde ainda continuam as preocupações com a guerra comercial entre EUA e China
Nicholas Kamm/AFP
Além do Datafolha, o mercado também monitora o cenário externo, onde ainda continuam as preocupações com a guerra comercial entre EUA e China

O mercado também monitora o cenário externo, onde ainda continuam as preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos (EUA) e China. Recentemente, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou estar pronto para impor novas tarifas sobre praticamente todas as importações do país asiático.

Em resposta, a China disse que pedirá permissão à OMC (Organização Mundial do Comércio) para determinar sanções aos EUA, alegando que os norte-americanos estão descumprindo as regras relativas ao dumping, uma prática comercial que prejudica concorrentes nos países para onde as mercadorias são exportadas.

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O mercado depois do Datafolha

Durante o dia, horas depois da divulgação da pesquisa Datafolha, o Ibovespa reagiu - não o suficiente para registrar variação positiva
iStock
Durante o dia, horas depois da divulgação da pesquisa Datafolha, o Ibovespa reagiu - não o suficiente para registrar variação positiva

Durante o dia, horas depois da divulgação da pesquisa Datafolha , o Ibovespa reagiu - não o suficiente para registrar variação positiva. Por volta das 16h, o índice acionário anotava queda de 2,39%, chegando a 74.613 pontos. No mesmo horário, o dólar era cotado a R$ 4,1580.

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