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Segundo Serasa, inadimplência atingiu 61,5 milhões de pessoas no Brasil e demanda por crédito aumentou em todas as faixas de renda. Entenda

Inadimplência atingiu 61,5 milhões de pessoas e demonstrou alta em relação ao mês de agosto do ano passado
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Inadimplência atingiu 61,5 milhões de pessoas e demonstrou alta em relação ao mês de agosto do ano passado

O número ainda é alto, muito alto, mas aos poucos, bem aos poucos, ele parece estar voltando a cair. Segundo dados da Seras Experian, em agosto de 2018, a inadimplência no Brasil afetou 61,5 milhões de consumidores. O indicador caiu 0,16% em relação ao consolidado do mês de julho imediatamente anterior quando ficou em 61,6 milhões de pessoas.

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A novidade não chega a ser exatamente uma boa notícia já que apesar dos dados confirmarem o segundo recuo consecutivo, eles ocorrem após a inadimplência bater recorde em junho desse ano quando atingiu 61,8 milhões de pessoas.

Prova disso é que, quando comparado com agosto de 2017, o número de inadimplentes, na verdade, aumentou 1,82% saindo de 60,4 milhões para os já citados 61,5 milhões. Soma-se a isso o fato de que o montande devido também aumentou no período: de R$ 270,4 bilhões para R$ 274 bilhões, com um média de quatro dívidas por CPF, totalizando R$ 4.453 por pessoa.

O número apurado pela Serasa está bem próximo do também divulgado pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) que divulgou que a inadimplência subiu pelo 11º mês consecutivo em agosto, dessa vez, em todo o País.

Para a CNDL e o SPC, o número de consumidores com contas em atraso aumentou 3,63% em comparação com julho do ano passado e atingiu 62,9 milhões de consumidores (ou 41% da população adulta do Brasil).

Eles, porém, também ressaltaram que na comparação com o mês imediatamente anterior, houve uma pequena redução de 0,71% o que, segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, indica que "a recuperação lenta cria dificuldades para a gestão do orçamento das famílias, frustrando planos e a volta do consumo", explica, "a reversão desse quadro passa por uma aceleração da atividade econômica, em especial do emprego e da renda."

A avaliação dos economistas do Serasa Experian, por sua vez, não é diferente. Para eles, o ritmo de crescimento econômico mais lento do que o esperado para 2018 comprometeu uma maior reversão do nível de desemprego. Esse fator acabou por ainda manter em patamares elevados a inadimplência do consumidor, apesar do recente recuo da inflação, passados os impactos adversos provocados pela greve dos caminhoneiros.

O estudo da Serasa também aponta que os bancos e os cartões de crédito seguiram com a maior participação no total de dívidas atrasadas em agosto de 2018 (28,5%), porém também registraram a maior queda, de 1,6 ponto percentual, em relação ao apurado no mês correspondente de 2017 (30,1%).

Na sequência, os maiores vilões dos endividados seguem sendo os da categoria denominada de "Utilities" que reúne contas de energia elétrica, gás e água com 19,2% da participação total e demonstrando o maior crescimento no período analisado de 2,1 pontos percentuais quando comparado com agosto de 2017.

Esse aumento pode ser explicado por um outro dado apurado pela Serasa Experian já em julho. Naquele mês, os idosos foram os principais responsáveis pela alta no endividamento em relação às contas básicas de água, energia e gás já que entre as pessoas com mais de 61 anos, esse segmento representava 34,3% enquanto entre os mais jovens esse número era de "apenas" 19,4%, uma diferença de 14,9 pontos percentuais.

Voltando a agosto, os fatores que mais levaram à inadimplência do público em geral, na sequência, foram: varejo (12,6%), telefonia (12,0%), serviços (10,4%), financeira/leading (10,2%) e ainda outros (7,2%).

Enquanto isso, no recorte por gênero, a pesquisa do Serasa Experian mostrou uma estabilidade. Se em agosto de 2017, as mulheres representavam 49,1% dos inadimplentes e os homens 50,9%, agora, em agosto de 2018, a divisão da inadimplência ficou 49,2% para elas e 50,8% para eles.

Inadimplência cai e demanda por crédito volta a subir

Enquanto inadimplência cai timidamente após bater recorde em junho de 2018, demanda por crédito continua em alta
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Enquanto inadimplência cai timidamente após bater recorde em junho de 2018, demanda por crédito continua em alta

Porém, enquanto a inadimplência continua alta, mas em queda tímida, o Indicador da Demanda do Consumidor por Crédito também da Serasa Experian mostrou que a quantidade de pessoas que buscou crédito no mês de agosto avançou 3,8% em relação ao mês de julho. 

Enquanto isso, na comparação mais interessante com o mês de agosto de 2017, a demanda por crédito também apresentou alta: dessa vez de 2,5%. Dessa forma, no acumulado do ano, a busca do consumidor por crédito já cresceu 9,1% perante os oito primeiros meses do ano passado.

De acordo com os economistas da Serasa Experian, essa busca maior do consumidor por crédito exibiu crescimento em agosto impulsionada pela retração da inflação e, passados os impactos transitórios da greve dos caminhoneiros, pela recuperação recente da economia, ainda que mais incipiente do que se esperava e do nível de emprego no País, a ritmo lento.

Ainda sobre isso, vale lembrar que no caso do desemprego, por exemplo, segundo o levantamento mais recente desenvolvido pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mais de  392 mil vagas de trabalho foram abertas no primeiro semestre deste ano, enquanto que, no mesmo período do ano passado, o saldo foi de 71 mil vagas.

No entanto, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego até caiu de 12,9% para 12,3% na comparação do trimestre de maio a julho com o que vai de fevereiro a abril, mas ainda existem 12,9 milhões de pessoas desempregadas no País.

Esses números foram suficientes para que a  confiança do consumidor melhorasse apenas timidamente no mesmo mês de agosto de 2018 registrando alta (3,47%) pela segunda vez consecutiva.

Dessa forma, o índice atingiu 42,4 pontos ante 41,0 pontos em julho, o que signifca que, embora os resultados mostrem um pequeno avanço, o indicador ainda não superou os 50 pontos que, segundo a metodologia, apontam a diferença entre o sentimento de confiança e de pessimismo dos consumidores.

Tais dados, quando associados, ligam um sinal de alerta para os economistas novamente que sempre ressaltam a necessidade de uma melhor educação financeira por parte dos brasileiros para que, num primeiro sinal de melhora, não voltem a gastar mais do que podem, aumentando a inadimplência que reflete na inflação, taxa de juros e outros indicadores econômicos.

Isso fica ainda mais forte porque, segundo o Serasa Experian, o crescimento da demanda dos consumidores por crédito em agosto/18 ocorreu em todas as classes de renda.

Para os que ganham até R$ 500, foi de 4,6%. Para os consumidores com renda mensal entre R$ 500 e R$ 1.000, foi de 3,8%. Para a renda mensal entre R$ 1.000 e R$ 2.000, foi de 3,6%. Já os consumidores com renda mensal entre R$ 2.000 e R$ 5.000, foi de 3,8%. Para os que ganham entre R$ 5.000 e R$ 10.000 por mês, o avanço foi de 3,6% e, por fim, para a renda mensal maior que R$ 10.000, o crescimento na procura por crédito foi de 4,4%.

Já no acumulado do ano até agosto/18, na comparação com o mesmo período do ano passado, a procura do consumidor por crédito apresentou variações positivas em todas as faixas de renda: alta de 30,1% para quem recebe até R$ 500 por mês; de 6,6% para quem ganha entre R$ 500 e R$ 1.000 mensais; e 6,9% para os que recebem entre R$ 1.000 e R$ 2.000 por mês.

Enquanto isso, nas rendas mais altas, os avanços na procura por crédito no acumulado do ano até julho/18 foram: 6,8% para a faixa de renda entre R$ 2.000 e R$ 5.000 mensais; 6,9% para o consumidor com renda entre R$ 5.000 e R$ 10.000 por mês e de 7,1% para quem ganha mais de R$ 10.000.

Por fim, na comparação contra o acumulado dos primeiros oito meses do ano passado, houve avanços da demanda por crédito em todas as regiões: no Centro-Oeste (15,6%); Nordeste (14,2%); Norte (10,4%); Sudeste (7,0%); e no Sul (6,2%).

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O que só reforça a necessidade de continuar combatendo permanentemente a inadimplência , voltando a gerar empregos e renda para que os consumidores possam adquirir bens e serviços sem gerar dívidas que não consigam pagar.

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