Tamanho do texto

De acordo com um balanço feito pelo Banco Central, entre os meses de janeiro e julho de 2018, foram negociados R$ 15 bilhões, enquanto que, no mesmo período do ano passado, o volume foi de R$ 8,8 bilhões; confira

Após fazer transferência de dívida, consumidor conseguiu reduzir a parcela do financiamento em cerca de 20%
Reprodução
Após fazer transferência de dívida, consumidor conseguiu reduzir a parcela do financiamento em cerca de 20%

A transação financeira que permite ao consumidor fazer transferência de dívida, sem custos, de um banco para outro, em busca de melhores taxas para a quitação do empréstimo, cresceu 70% no primeiro semestre de 2018 em relação ao mesmo período do ano passado.

Leia também: Taxa de juros do cheque especial cai em julho, mas continua acima de 300% ao ano

O Banco Central (BC), responsável por medir o volume de operações da chamada portabilidade de crédito, apurou que, entre janeiro e julho de 2017, foram negociados R$ 8,8 bilhões relativos à transferência de dívida . Enquanto que, neste ano, o montante passa de R$ 15 bilhões.

Por que aumentou o volume de transferência de dívida?

Antes de fechar a transferência de dívida é  importante observar novas taxas inclusas
shutterstock
Antes de fechar a transferência de dívida é importante observar novas taxas inclusas

Para o fundador da Associação Brasileira das Empresas de Fintech, Rafael Sasso, a maior procura pela portabilidade é explicada pela redução da taxa de juros e pelo fato de que, atualmente, há muito mais informações disponíveis sobre o procedimento, fazendo com que muitos brasileiros pesquisem sobre a possibilidade e façam uma portabilidade de crédito .

Como no caso do consumidor Rodrigo Veloso, que adquiriu um crédito imobiliário em 2016 para terminar a casa que construía em Santana de Parnaíba, região metropolitana de São Paulo. Ele conta que, na época, pegou um crédito de alto custo, em torno de 12%, e quando a casa ficou pronta, neste ano, a alternativa foi buscar outra possibilidade de financiamento.

Nessa ‘brincadeira’, Veloso conseguiu reduzir a parcela do financiamento em cerca de 20%. “Deu uma aliviada no orçamento familiar, no mês a mês. O custo efetivo total, por ano, ficou em torno de 10%”, relembra.

Somente na modalidade de financiamento imobiliário , o aumento no volume das transações foi de 20% no segundo trimestre de 2018 frente ao trimestre anterior, movimentando mais de R$ 1,827 bilhão, conforme aponta a Plataforma Melhor Taxa, dedicada a mostrar as tarifas entre bancos e mutuários e que também simula opções de portabilidade a partir das ofertas de taxas feitas pelos bancos.

Em uma das simulações enviadas à Agência Brasil  , foi constatada uma economia de mais de R$ 160 mil na ‘troca de dívidas’. O cenário foi o seguinte: uma pessoa de 32 anos, com um imóvel de R$ 800 mil, com um financiamento de R$ 500 mil, em 2016, e prazo de 30 anos. No momento de concessão do crédito, os juros eram de 11,24% e, durante a simulação, um banco ofertou uma taxa de 8,9%.

Embora a redução seja de 2,34 pontos percentuais (p.p), Rafael Sasso aleta que é preciso olhar o custo efetivo total, que inclui outras taxas cobradas pelo banco.

Sendo assim, antes de ‘trocar de dívida’, é preciso também considerar os custos adicionais do processo, como avaliação do imóvel e valor de transferência de alienação junto ao cartório de registro de imóveis.

Leia também: Devedor no rotativo do cartão de crédito pagará a mesma taxa que outros clientes

Além disso, Sasso informa que, para iniciar a negociação, o banco no qual está a dívida de origem deve fornecer ao cliente interessado em fazer a operação informações como saldo devedor, número de parcelas a vender, taxas de juros e outros dados que dizem respeito ao crédito.

“No caso de pessoas dívidas, o valor e o prazo da nova operação não podem ser superiores ao valor do saldo devedor e ao prazo remanescente da operação a ser liquidada”, alertou.

Leia também: Gastos de brasileiros no exterior caem 7,87% em julho em relação a 2017

Dificuldades da ‘troca de dívidas’

Especialista estima que transferência de dívida será menos burocrática no futuro
shutterstock
Especialista estima que transferência de dívida será menos burocrática no futuro

De acordo com o Sistema de Registro de Demandas do Cidadão, que é responsabilidade do BC, foram registradas cerca de 500 mil manifestações, das quais 61% eram reclamações dividas entre as que são reguladas pelo BC e as não reguladas. Entre as que têm regulação do órgão central, a portabilidade de crédito teve 50 mil ocorrências, um total de 27%.

Para o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi – SP), Flávio Amary, as dificuldades estão relacionadas ao fato de ser um serviço novo, mas que, em breve, vai se tornar mais ágil e simples, uma vez que essa burocracia para fazer transferência de dívida tende a diminuir cada vez mais.

*Com informações da Agência Brasil