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Secretaria de Agricultura e Abastecimento/divulgação
Adubo verde é opção para cultivo de tomate orgânico

O adubo verde pode ser a saída para elevar a produtividade do solo, equiparando os resultados de colheita na produção de tomate orgânico. Essa é a conclusão de um estudo desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. A pesquisa revelou que incorporar aos canteiros de tomate a adubação verde, proveniente de restos de outras plantas, garante um suprimento de até 40% de todo o nitrogênio que o vegetal precisa para se desenvolver. 

De acordo com Edmilson Ambrosano, pesquisador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), que coordenou o trabalho,  na agricultura orgânica não se pode utilizar o nitrogênio mineral, já que este é um adubo químico e, por isso,  é preciso buscar alternativas.

O intuito do projeto projeto foi avaliar o que acontece com o nitrogênio quando ele entra nesse adubo verde e quando vai para o tomate. Para isso, foram usadas técnicas de energia nuclear na agricultura, visando o acompanhamento do traçado do nitrogênio do solo para a planta, através de um isótopo – um tipo de molécula que possui características específicas e serve como um marcador.

“Usando a técnica de rastreamento de nitrogênio, pudemos identificar que entre 30% e 40% do que estão no tomate vieram do adubo verde”, informa o pesquisador. Segundo ele, os testes foram feitos tanto em estufas quanto no campo.

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Além de descobertas importantes do ponto de vista científico, o trabalho trouxe resultados diretos para o produtor de tomate, que pode se beneficiar da utilização do adubo verde, já que ele auxilia na manutenção da qualidade do solo, apresenta  produtividade equivalente ao convencional e mantém o solo produtivo por mais tempo.

“A pesquisa foi feita de forma participativa. Enquanto era desenvolvida nos laboratórios e campos experimentais da APTA, era também introduzida junto aos agricultores. Eles já aplicavam diretamente, viam como fazer na prática e percebiam os ganhos de produtividade e a melhora do solo. Esse processo facilita e torna mais rápido o processo de transferência do conhecimento”, explica.

Além do método de consórcio, o pesquisador explica que é possível cultivar as espécies em uma área externa às estufas dos tomateiros e, após estarem secas, incorporá-las à plantação – o que é importante nos casos em que não se pode esperar entre uma colheita e o novo plantio de tomate.

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De acordo com o pesquisador da APTA, há uma série de plantas que podem ser utilizadas como adubo verde, como, por exemplo, a crotalária-júncea, o feijão-de-porco, a mucuna-anã e o tremoço branco. Ele complementa que cada uma possui aptidões diferentes de acordo com as estações do ano, o que é valorizado pela agricultura orgânica, que respeita a sazonalidade das plantas.

“Passamos a usar também uma espécie que traz renda para o produtor, o feijão-mungo, que é muito usado para fazer o broto de feijão usado na culinária (o moyashi). Assim, além de servir como adubo verde, o produtor tem um grão que pode ser colhido e comercializado e que, no consórcio, chega a produzir 500-800 quilogramas por hectare”, finaliza.

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