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É a segunda tentativa da estatal de se desfazer de sua subsidiária; em fevereiro de 2018, o Cade reprovou a compra da companhia pela Ultragaz

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Divulgação/Liquigás
A Liquigás é uma subsidiária da Petrobras que atua no engarrafamento, distribuição e comercialização do gás de cozinha

A Petrobras deu mais um passo para vender a Liquigás, subsidiária que atua no engarrafamento, distribuição e comercialização de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha. A estatal informou na manhã desta quinta-feira (20) que iniciou a fase vinculante referente à venda da empresa. 

Essa é a segunda tentativa da  Petrobras de se desfazer da Liquigás. Em fevereiro de 2018, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que regula a concorrência no País, reprovou a venda da companhia para a Ultragaz, que teria 40% de participação de mercado em vários estados. Na ocasião, o negócio foi avaliado em R$ 2,8 bilhões.

O processo de venda da companhia voltou a ser acelerado após o STF (Superior Tribunal Federal)  ter liberado a venda de subsidiárias de estatais sem a necessidade de obter aval do Congresso, no início de junho. Com isso, a estatal vai retomar planos de privatização que somam US$ 32,3 bilhões, segundo estimativas.

Para vender a companhia desta vez, a Petrobras convidou empresas que registraram receita bruta acima de US$ 100 milhões no ano passado e que atuam no segmento de combustíveis. Para os fundos de investimento, é necessário ter ativos de US$ 1 bilhão sob administração e ter feito pelo menos um investimento na indústria de petróleo nos últimos dez anos.

Segundo fontes, a Ultragaz está participando novamente da tentativa de aquisição, mas agora conta com novos sócios e tem fatia mionoritária. Para conseguir destravar o negócio, a estatal informou que nenhum interessado poderia ter mais de 10% do mercado em que a Liquigás atua. Por isso, fundos de investimentos, empresas de GLP e Itausa estão participando da oferta.

As vendas de GLP da Liquigás somaram uma receita de R$ 4,783 bilhões em 2018, alta de quase 20% em relação aos R$ 3,997 bilhões do ano anterior. O lucro líquido somou R$ 148 milhões, 43,68% acima dos R$ 103 milhões de 2017.

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Em nota, a Petrobras disse que os interessados classificados para a fase vinculante "receberão cartas convite com instruções detalhadas sobre o processo de desinvestimento, incluindo as orientações para a realização de  due diligence  [processo de busca de informação sobre uma empresa] e para o envio das propostas vinculantes".