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Empresa começa a testar o job sharing, quando dois funcionários compartilham uma mesma função, fazendo carga horária diminuir

Homem e mulher lado a lado
Pixabay
Compartilhar uma mesma função no trabalho pode fazer com que carga horária semanal fique menor


Em época de economia compartilhada, uma nova forma de trabalho está sendo testada na Unilever Brasil: o job sharing  (cargo compartilhado). Desde abril, Carolina Mazziero e Liana Fecarotta começaram a compartilhar a diretoria da área de Recursos Humanos para Liderança e Desenvolvimento e, com isto passam a trabalhar apenas três dias na semana.

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Este modelo já acontece em outras operações da Unilever , e no Brasil a ideia surgiu de uma conversa entre Carolina e Liana. "Estávamos passando por um momento na vida pessoal em que gostaríamos de ter mais tempo para nos dedicarmos a nossos filhos e aos estudos", explicaram elas.

Carolina estava prestes a voltar de licença-maternidade do segundo filho (ela já tem um menino de 4 anos) e Liana tem dois filhos, de 5 e 2 anos. "Começamos a imaginar como seria dividir a mesma função na Unilever e trabalhar três vezes por semana. Já havíamos tido contato com profissionais da companhia de outros países que trabalhavam desta maneira e sabíamos que era possível", lembra Carolina.

Vantagem para ambos os lados

As duas levaram a ideia para Luciana Paganato, vice-presidente de Recursos Humanos da empresa, que recebeu a sugestão muito bem. "Foi uma conjunção da nossa necessidade pessoal com a vontade da companhia de evoluir em novos formatos de trabalho", conta Liana.

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Durante dois dias da semana, ambas estão no escritório participando de reuniões presenciais, para manter a conexão olho no olho. Elas acreditam que o job sharing  traz vantagens para ambos lados. Os funcionários ganham flexibilidade para acomodar demandas pessoais, e a companhia ganha produtividade e inovação.

Como é a primeira vez que a Unilever Brasil experimenta este formato, tudo ainda é muito novo. Mas a intenção da companhia é oferecer esta possibilidade para outros funcionários. Depois que esse projeto terminar, passará por uma avaliação e poderá ser levado para outras áreas.

Ocupantes precisam estar alinhados

Jacqueline Resch, consultora e sócia da Resch Recursos Humanos, explica que há uma tendência mundial de criação de novos modelos de trabalho , especialmente aqueles que permitem mais flexibilidade, agilidade, diversidade das equipes e compartilhamento de conhecimentos.

"Os horários flexíveis e o home office são práticas mais conhecidas e utilizadas do que o j ob sharing  . Um estudo da SHRM apontou que, entre as organizações que têm programas formais relacionados a arranjos mais flexíveis, somente 8% têm um programa formal de job sharing", afirma.

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Para a empresa, ela defende que, neste formato, é preciso que os dois ocupantes do cargo estejam muito bem alinhados. "A bola ficar dividida pode gerar confusão na empresa e impacto no clima e na produtividade", adverte.

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