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Lista inclui a Mostra de Cinema de São Paulo e o Anima Mundi, maior festival de animação da América Latina, com início marcado para 17 de julho no Rio

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Fernando Frazão/Agência Brasil
A decisão pelos cortes segue a determinação do governo Bolsonaro de reavaliar os contratos de patrocínio da Petrobras

A Petrobras cortou o patrocínio de 13 projetos culturais que apoiava historicamente. A lista inclui o Festival do Rio de cinema, o Anima Mundi e o Clube do Choro de Brasília. A decisão foi antecipada pela Rádio CBN a partir de um documento enviado pela empresa aos deputados federais Áurea Carolina e Ivan Valente, do PSOL, ao qual  O Globo  também teve acesso.

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A decisão segue a determinação do governo Bolsonaro de reavaliar os contratos de patrocínio da Petrobras , segundo informa a Secretaria de Governo da Presidência da República no documento. Em fevereiro, o presidente publicou no Twitter que, embora reconheça "o valor da cultura e necessidade de incentivá-la", acredita que esse financiamento "não deve estar a cargo de uma petrolífera estatal".

No último dia 11, Diego Pila, gerente de patrocínios da Petrobras, disse em audiência pública sobre patrocínios estatais na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados que a diretoria da empresa teve uma redução no orçamento. "Tinhamos um orçamento aprovado para 2019 de R$ 180 milhões. Ele foi cortado em cerca de 30%, caiu para R$ 128 milhões. Isso reduziu muito nossa possibilidade de investimento para este ano", comentou Pila.

O representante da estatal ainda acrescentou que a Petrobras tem um orçamento destinado a cumprir com suas obrigações contratuais e "algum espaço para novos projetos". "Nos próximos dias, devemos divulgar o resultado do nosso edital de projetos de música, vamos colocar R$ 10 milhões em 19 projetos dessa área nos próximos dois anos", garantiu.

Procurada, a assessoria de imprensa da Petrobras não respondeu até a publicação desta reportagem. Segundo o documento, o corte faz parte da revisão dos programas de patrocínio da estatal, que terão foco maior em "ciência, tecnologia e educação, principalmente infantil". A empresa tanbém informou que esse novo posicionamento de marca ainda está em fase de estudo.

Na área da música, o corte também afeta o tradicional Prêmio da Música Brasileira , que no ano passado recebeu R$2,4 milhões da empresa, e o Clube do Choro de Brasília. No cinema, a lista inclui a Mostra de Cinema de São Paulo, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o Festival de Cinema de Vitória, o CineArte e a Sessão Vitrine. Já no teatro foram cortados o Festival Porto Alegre em Cena e o Festival de Curitiba.

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Um dos diretores da Casa do Choro, no Rio de Janeiro, Paulo Aragão informou que o instituto foi comunicado na semana passada do corte da Petrobras , mas assegurou que a casa seguirá funcionando. "Claro que a retirada do patrocínio nos impacta, então é possível que seja uma série [de shows] menor. Mas não deixaremos de fazer", afirmou.