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Opinião de Fabio Schvartsman é compartilhada por Salim Mattar, secretário de desestatização, que prefere "valorizar" os empregos criados pela empresa

A opinião do presidente da Vale, Fabio Schvartsman, é compartilhada por Salim Mattar, secretário de desestatização
Tomaz Silva/Agência Brasil
A opinião do presidente da Vale, Fabio Schvartsman, é compartilhada por Salim Mattar, secretário de desestatização

Para o diretor-presidente da Vale, Fabio Schvartsman, a mineradora é uma "joia brasileira" que não pode ser condenada pelo rompimento da barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). A tragédia deixou 166 mortos e 155 desaparecidos, muitos deles funcionários da própria Vale, que tinha um complexo administrativo no local.

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"A Vale é uma joia brasileira que não pode ser condenada por um acidente que aconteceu numa de suas barragens, por maior que tenha sido a sua tragédia", defendeu Schvartsman. A declaração foi feita durante uma reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados que apura a situação das barragens no País.

A opinião do presidente é compartilhada pelo secretário especial de desestatização, Salim Mattar. Ontem (13), Mattar pediu que a população não "demonize" a Vale pela tragédia de Brumadinho, defendendo que o responsáveis respondam por ela no seu CPF, mas que a mineradora seja preservada para manter empregos e a arrecadação de impostos.

“Um ou dois aviões caem por ano e morrem 120, 130 pessoas. Pede-se que a diretoria da empresa caia ou se demoniza essa companhia?”, questionou o secretário. “Em Brumadinho , caíram dois aviões [somando mortos e desaparecidos]. Como seria o tratamento de uma companhia aérea e como estamos tratando a Vale?”.

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O secretário, responsável por tocar a agenda de privatizações do ministro da Economia, Paulo Guedes, também afirmou que a Vale será "reprivatizada" no governo de Jair Bolsonaro (PSL). Mattar acredita os fundos de pensão patrocinados pelo Estado detêm o controle da mineradora e que, portanto, a empresa nunca deixou de ser uma estatal.

CPI de Brumadinho

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou a abertura de uma CPI para investigar a tragédia de Brumadinho
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou a abertura de uma CPI para investigar a tragédia de Brumadinho

A Câmara dos Deputados abriu uma comissão geral extraordinária para debater as conseqüências da tragédia em Brumadinho e discutir as circunstâncias e as responsabilidades. Logo no início da sessão, o presidente da Casa,  Rodrigo Maia  (DEM), anunciou a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas e os culpados pelo incidente.

As discussões ocorrem paralelamente ao funcionamento da comissão externa da Casa que formalizou os compromissos da "Carta de Brumadinho". Na carta, foram definidas prioridades e esforços para impedir que tragédias semelhantes aconteçam e as datas das primeiras audiências públicas.

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Nesta quinta-feira (14), a comissão externa deve ouvir o presidente da  Vale e representantes de órgãos de fiscalização e controle, como o Ministério Público, Ibama, Agência Nacional de Mineração (ANM) e Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais. Na próxima semana, será a vez de ouvir especialistas do Tribunal de Contas da União (TCU), do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Águas (ANA).

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