Ponto de coleta de tintas usadas do Programa Retorna Tinta
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Ponto de coleta de tintas usadas do Programa Retorna Tinta

Quando se fala em sustentabilidade na indústria da construção, a atenção costuma se concentrar em materiais como aço, cimento e vidro. Porém, as tintas, embora também façam parte desta cartela de materiais, costumam aparecer menos nesse debate.

Por trabalhar com produtos e matérias-primas químicas, a indústria de tintas está atenta e vem estruturando iniciativas para reduzir impactos ambientais e à saúde. Uma das mais recentes é justamente a redução do chumbo nas tintas, que passou a ter um limite mais baixo por determinação de uma nova lei.

A nova legislação, sancionada pelo presidente Lula, estabelece limite máximo de 90 partes por milhão (ppm) da substância nos produtos comercializados no Brasil, com prazo de um ano para adequação. Esta mudança foi defendida pela Abrafati (Associação Brasileira de Fabricantes de Tintas) junto ao poder público e amplia para todas as tintas um limite considerado mais seguro.

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A medida faz parte de um movimento do próprio setor para organizar e ampliar ações relacionadas à sustentabilidade. Segundo Cindy Moreira, gerente de Sustentabilidade da Abrafati, há cerca de cinco anos foi criado o Programa Setorial de Sustentabilidade, que funciona como um guarda-chuva para estruturar as iniciativas da indústria em diferentes eixos.

“É hora de botar a mão na massa”, afirma Cindy, ao falar sobre a necessidade de as empresas apresentarem ações concretas diante das mudanças climáticas. Para ela, o setor precisa mostrar como está se organizando para enfrentar o tema e participar das discussões que envolvem a indústria de materiais da construção.

Programa organiza ações do setor

A criação do Programa Setorial de Sustentabilidade foi acompanhada pela elaboração de uma matriz de materialidade, indicadores e um sistema de avaliação. As empresas trabalham esses indicadores ao longo do ano, utilizando a ferramenta para identificar sua situação e acompanhar os caminhos de evolução. O sistema foi posteriormente ampliado para fabricantes e fornecedores de matérias-primas.

Entre os eixos está a mudança da base solvente para a base água. A redução do chumbo também integra esse conjunto de ações e resultou na proposta que levou à nova legislação. Para Cindy, a mudança representa um movimento conduzido pela própria indústria.

O programa também estabeleceu uma meta climática: reduzir em 25% as emissões de gases de efeito estufa dos fabricantes nos escopos 1 e 2. Para 2030, a agenda inclui ainda o engajamento de fabricantes e fornecedores, a ampliação da reciclagem de embalagens e de soluções para sobras de tintas e o apoio a normas baseadas em parâmetros globais.

Logística reversa das sobras

A economia circular é outro eixo de atuação. Em 2024, o setor criou o Retorna Tinta, programa que instalou pontos de entrega para receber sobras de produtos. A iniciativa foi revisada depois de uma primeira experiência que mostrou a necessidade de ampliar a escala da coleta.

Atualmente, o programa conta com 11 pontos entre Recife e o estado de São Paulo. A quantidade recolhida chegou a cerca de 3 mil litros, com a meta de chegar a 5 mil litros até o fim do ano.

As sobras recolhidas são encaminhadas para coprocessamento, no qual são transformadas em energia. O setor também pretende destinar para ações sociais as tintas que ainda apresentam qualidade para uso. Já as embalagens de aço seguem para cooperativas. Segundo Cindy, a proposta é avançar no aproveitamento de diferentes tipos de resíduos, incluindo plástico e papelão.

Da discussão climática à implementação

A sustentabilidade também passou a fazer parte da articulação do setor com outras áreas da indústria de materiais de construção. A Abrafati participa do Fórum das Entidades da Indústria de Materiais da Construção, que reúne segmentos como aço, vidro e esquadrias. A estrutura permite compartilhar iniciativas e trabalhar agendas comuns, inclusive por meio de um grupo de trabalho de sustentabilidade.

Para Cindy, a participação do setor nas discussões climáticas é necessária mesmo diante de um impacto menor em comparação com outros segmentos da construção civil. 

“O setor de tintas é sempre recebido com certa surpresa em grandes eventos de sustentabilidade, como se não estivesse conectado à agenda climática. Estamos em uma oportunidade para mudar esta opinião. Existe, sim, uma urgência das empresas falarem concretamente sobre ações e como estão se organizando para enfrentar as mudanças climáticas”, finalizou Cindy.

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