
Quando falamos em desmatamento, as primeiras imagens que vêm à mente são motosserras, grilagens, queimadas ou expansão agropecuária. Mas tem um outro vilão que vem chamando a atenção dos especialistas, principalmente nesta época do ano: as enxurradas.
Em períodos de chuvas muito intensas, o solo simplesmente satura. Ele para de absorver água e vira uma espécie de tapete escorregadio. Aí entram as enxurradas: correntes de água fortes, rápidas e destruidoras, que descem morros, encostas e margens de rios levando tudo pela frente, inclusive árvores inteiras.
Raízes que antes seguravam o solo perdem sustentação. Árvores tombam. Trechos inteiros de vegetação são arrancados. E isso é computado como desmatamento.

Lembrando que, no Brasil, o desmatamento tem sido responsável pela maior parte das nossas emissões de gases de efeito estufa, portanto zerar as áreas desmatadas é nossa principal preocupação.
“A chuva forte deixa o solo mais aerado e mais lamoso, fazendo com que a raiz descole. Isso é mais preocupante em áreas em restauração, quando as espécies ainda estão frágeis. Enxurradas são um descontrole climático e estamos pouco preparados para isso. Elas causam desmatamento, destruição e contaminação do solo", afirma Ana Clis Ferreira, porta-voz da frente de desmatamento zero do Greenpeace.
Florestas nativas sofrem menos
Uma floresta com árvores saudáveis, no entanto, é menos vulnerável aos efeitos das enxurradas. Áreas que já tinham sofrido desmatamento prévio, ocupação irregular, estradas mal planejadas e solo compactado criam o cenário perfeito para o desastre.
Sem vegetação suficiente para segurar a terra e desacelerar a água, as enxurradas ganham força. E quanto mais árvores caem, mais vulnerável a área fica para as próximas chuvas. É um ciclo perverso que se retroalimenta.
“Em geral, as árvores têm um papel fundamental justamente para conter a chuva. Elas mantêm o solo e servem de barreira para proteger as áreas. Já em biomas fragilizados, a água bate direto na terra. As montanhas vão se tornando planícies. Infelizmente, este é um processo que está sendo acelerado, especialmente na Mata Atlântica", comentou Felipe Pinheiro, biólogo e consultor do Centro Brasil no Clima.
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