Nem bem completaram dois meses do início das polêmicas perfurações de petróleo no berço da maior reserva ambiental do mundo e, bingo!, um acidente já aconteceu: a Petrobras registrou, na madrugada deste domingo (4), um vazamento de fluido durante a perfuração do poço FZA-M-59, na Bacia Marítima da Foz do Rio Amazonas. O vazamento ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao chamado poço Morpho, a 175 quilômetros da costa do Amapá.
Em nota, a Petrobras informou que "o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, portanto não há dano ao meio ambiente ou às pessoas”.
De todo modo, as atividades estão paralisadas. O vazamento, estimado em 15 mil metros cúbicos, ocorreu a uma profundidade aproximada de 2.700 metros.
Depois que a companhia reportou o vazamento, nesta terça-feira (6), suas ações preferenciais (PETR4) caíram 2%, uma vez que refletem a percepção de risco. Além disso, entidades ambientalistas entraram com uma petição na Justiça para suspender a licença de exploração de petróleo no local.
Nenhuma surpresa
Este incidente que aconteceu no domingo vem sendo anunciado faz tempo e não é o primeiro em que a Petrobras está envolvida.
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Desde 2021, quando a empresa brasileira recebeu a concessão de exploração de petróleo na Margem Equatorial, esta é uma tragédia que vem sendo avisada por cientistas e pesquisadores. O Ibama chegou a negar o pedido de licença em 2023, mas o liberou em outubro de 2025, contrariando a recomendação de diversos especialistas. Foram emitidos laudos acusando inconsistências nas informações da Petrobras. Uma delas dizia respeito à capacidade de resposta da empresa no caso de incidentes significativos. O próprio Ministério Público do Amapá tentou impedir estas perfurações, mas não conseguiu.
A região é sensível e guarda a maior biodiversidade do mundo. O cenário é complexo do ponto de vista ambiental e, ao contrário do que diz a Petrobras, os incidentes podem acontecer a qualquer momento. Prova disso é que já houve um vazamento, cujo impacto ainda não foi revelado. A pergunta que fica é: vale mesmo a pena correr este risco? O preço é alto demais e o planeta vem dando demonstrações de que não oferece mais almoço grátis.