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Na campanha eleitoral, a volatilidade na Bolsa de Valores e no mercado de juros pode gerar oportunidades – e riscos – para o pequeno investidor

Olá, gravateiras e gravateiros. O tema de hoje é o seu bolso. A campanha eleitoral é um daqueles raros períodos em que a volatilidade na Bolsa de Valores e no mercado de juros pode gerar muito lucro – e risco – para o pequeno investidor. O segredo é tentar decifrar a mente dos tubarões do mundo financeiro em relação aos candidatos que lideram as pesquisas.

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É importante salientar que a coluna “A Economia Sem Gravata” não tem preferências partidárias. Tentamos sempre fazer análises isentas que ajudem os gravateiros a tomar as melhores decisões de investimentos. Ao deixar as paixões políticas de lado, temos maiores chances de alcançar o lucro financeiro.

Desde que Fernando Haddad (PT) foi escolhido para ocupar a vaga de Lula, o seu crescimento constante nas pesquisas eleitorais demonstra uma polarização com Jair Bolsonaro (PSL). Nenhum dos dois candidatos é o queridinho do mercado financeiro, que prefere posições menos extremadas e agendas econômicas reformistas, como as apresentadas por Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoedo (Novo).   

RISCOS

Temos, portanto, na visão dos tubarões (grandes investidores institucionais e megainvestidores estrangeiros) dois riscos envolvendo os líderes das pesquisas. O “Risco Bolsonaro” decorre do fato de que ele, em sete mandatos na Câmara dos Deputados, nunca foi liberal. Quem garante que esse “casamento” com o economista ultraliberal Paulo Guedes vai durar os quatro anos de mandato? Ou seja, o problema não é a agenda de Paulo Guedes, mas a percepção de que Bolsonaro pode não concordar com ele durante seu eventual governo. Além disso, a falta de uma aliança política pode inviabilizar a aprovação das propostas reformistas no Congresso Nacional.

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Já o “Risco Haddad” decorre de um programa econômico desenvolvimentista do PT que flerta com os erros do governo Dilma Rousseff. Essa agenda é reprovada pelos tubarões. No entanto, Haddad é visto como um petista moderado, que pode atrair economistas mais ortodoxos para o seu eventual governo, a exemplo do que fez Lula em 2003. Na ocasião, o presidente da República nomeou Antonio Palocci e Marcos Lisboa (Ministério da Fazenda), Henrique Meirelles (Banco Central) e Joaquim Levy (Tesouro Nacional). Um time de ponta no comando da economia, na avaliação do mercado financeiro. Nos últimos dias, Haddad tem mantido conversas reservadas com economistas mais conservadores, sinalizando que não cometerá loucuras na economia. Entretanto, quem garante que, ao vencer a eleição, o petista não dobrará a aposta na agenda desenvolvimentista do governo Dilma? Quem garante que Haddad conseguirá “peitar” o PT? Lula é maior que o PT. Haddad, não.

Com esses dois riscos no horizonte, o segundo turno promete fortes emoções – se não houver uma reviravolta de última hora, é claro. Neste confronto polarizado, Bolsonaro e Haddad serão impelidos a explicitar suas propostas econômicas, sem meias palavras. Conforme as agendas e os compromissos comecem a ficar mais claros, os investidores irão ajustando suas posições na Bolsa de Valores e no mercado de juros. Quanto maior o risco, mais perdas no mercado de ações e mais juros no mercado de renda fixa.

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Gostem ou não de Bolsonaro e Haddad, os tubarões terão de abraçar um deles – ou os dois. Se há uma característica que os grandes investidores jamais deixarão de ter, ela se chama pragmatismo. Eles sempre buscarão o lucro em qualquer governo. Para os pobres mortais – eu, você e os demais gravateiros –, há duas recomendações. Aproveite para ganhar dinheiro com juros. Títulos públicos (IPCA+) e títulos privados que pagam a inflação mais uma taxa de juros são ótima proteção contra eventual populismo econômico. Há também boas oportunidades em títulos pós e prefixados.

A segunda recomendação é para não exagerar na Bolsa de Valores. Há muitas ações baratas, sim. Os estrangeiros voltaram a comprá-las porque o valor em dólar ficou muito atraente após a desvalorização cambial. Em tempos de calmaria, eu aconselharia colocar, no máximo, 30% da sua poupança em Bolsa de Valores. Em época de eleições, com muita volatilidade, minha sugestão é não passar de 10%. Busque o lucro nesta eleição, mas tome cuidado com eventuais prejuízos. Por ora, o mercado “compra” Bolsonaro (a Bolsa tenderia a subir) e “vende” Haddad (a Bolsa tenderia a cair), mas isso pode mudar durante a campanha. A seguir, convido a todos a assistir a dois vídeos em que eu comento os riscos e as oportunidades em relação aos líderes nas pesquisas.


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