Mercadinhos autônomos
Cadu Barbosa / iG
Mercadinhos autônomos

Cada vez mais uma parcela dos cariocas não precisa mais sair do seu condomínio para comprar uma série de produtos que antes, exigiam uma ida ao mercado ou à tradicional mercearia do bairro. Pela proximidade e com funcionamento 24 horas, os chamados mercadinhos autônomos estão se espalhando pelos prédios residenciais do Rio de Janeiro e mudando a forma como os moradores fazem pequenas compras do dia a dia.

O crescimento do modelo já movimenta centenas de pontos de venda no Rio e atrai empresas especializadas. Uma das principais redes do segmento na cidade, a Roda Conveniência, informou que já possuía 298 pontos de venda e mais de 200 mil clientes em 2025. 

Outras empresa do mercado, a Easy Market, que já passou das 1.000 lojas espalhadas em 21 estados brasileiros, enquanto a market4u encerrou 2025 com cerca de 2.500 unidades em 180 cidades.

Como funcionam os mercadinhos autônomos? 

A proposta do modelo é  instalar uma pequena estrutura dentro do próprio condomínio, com alimentos, bebidas, produtos de higiene e outros itens de consumo cotidiano para o próprio morador registre e finalize a compra pelo aplicativo ou pelo caixa instalado.

O sistema acaba sendo atrativo não só para os moradores, mas também para os próprios condomínios que, na maior parte dos contratos, apenas cede o espaço enquanto as empresas ficam responsáveis por toda operação e abastecimento. 

E as mercearias tradicionais?

Mercearias se adaptaram a nova realidade
Cadu Barbosa / iG
Mercearias se adaptaram a nova realidade


A expansão dos mercados autônomos acontece ao mesmo tempo em que o comércio de minimercados e mercearias tradicionais tentam se adaptar a nova realidade.

Dados do IBGE mostram que os estabelecimentos deste tipo de comércio na cidade do Rio contaram com 2.825 empresas em 2022. O número passou para 3.050 em 2023 e chegou a 3.140 em 2024, alta de 11,2% em dois anos, mesmo com a chegada dos mercadinhos de autoatendimento.

Logo, os números não indicam o desaparecimento do comércio tradicional. Pelo contrário, o número aumentou no período.

Segundo os dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas  (SEBRAE), entre a abertura e encerramento de negócio do ramo no município do Rio, foram registradas 511 aberturas e 131 encerramentos em 2024. Em 2025, foram 550 novas empresas e 185 encerramentos. Em 2026, até o momento, foram 409 aberturas e 186 encerramentos.

Entregas viram alternativa 

Enquanto os mercadinhos autônomos avançam para dentro dos condomínios, os comerciantes das mercearias tradicionais perceberam as mudanças no comportamento dos clientes e precisaram chegar até eles competindo pela “comodidade”. 

É o caso do Seu Arlindo, proprietário do Mercadinho Estrela, na Zona Norte do Rio, que está prestes a completar 35 anos de atividade. Segundo ele, as entregas se tornaram o principal negócio do estabelecimento nos últimos anos.

Segundo ele, o movimento no salão diminuiu com o passar do tempo, enquanto os pedidos passaram a chegar principalmente por telefone e WhatsApp. 

Entre os produtos mais procurados está o galão de água de 20 litros, que se tornou o campeão de vendas. Curiosamente, um produto que surge como uma das poucas alternativas que restaram como “diferencial” das mercearias em relação aos mercados de autoatendimento.


Outro comerciante que precisou adaptar o negócio foi Chico, proprietário da mercearia que leva o seu próprio nome que, além de também ter as entregas como a base forte das vendas, passou a buscar outras formas de ampliar o faturamento, como oferecer almoço nas tardes do expediente.

Para Isabella Aguiar, moradora de um condomínio que possui uma das estruturas de autoatendimento, as compras grandes, seguem sendo realizadas nas redes de supermercado. Mas os itens do dia a dia, ganha a disputa o pedido da mercearia pela comodidade de ser recebido porta de casa.

Mas a consumidora também afirma que a melhor função dos mercadinhos autônomos, é o seu funcionamento 24h:

O bom é quando falta alguma coisa para fazer a janta, ou algum desejo na madrugada, você tem quase tudo ali para comprar mesmo fora do horário comercial Isabella Aguiar


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