
A canadense Atlantico Energy Metals identificou 12 áreas prioritárias para novas pesquisas de terras raras no projeto Novo Cruzeiro, no Vale do Lítio, no nordeste de Minas Gerais. O levantamento também apontou alvos de gálio e uma área de interesse para lítio.
Os resultados ainda são preliminares. A empresa não declarou reservas ou recursos minerais no projeto e precisará aprofundar os estudos antes de determinar se as concentrações encontradas podem sustentar uma exploração comercial.
O levantamento reuniuanálises químicas de amostras, mapeamento geológico, imagens de satélite e dados geofísicos. A Atlantico controla direitos minerários contíguos sobre uma área superior a 243 km² na região.
Entre os elementos encontrados estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Eles são usados na fabricação de ímãs de alto desempenho empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, robôs industriais e equipamentos dos setores aeroespacial e de defesa.
Uma amostra coletada na porção nordeste do projeto apresentou 1.427,05 partes por milhão de óxidos totais de terras raras. O resultado ajuda a empresa a definir onde concentrar as próximas etapas de pesquisa, mas não indica, sozinho, a existência de uma jazida economicamente viável.
Gálio aparece em todas as amostras de nova etapa
Na área de Rio Bravo, a oeste do projeto, o gálio foi detectado nas 114 amostras de acompanhamento analisadas. Os teores ficaram entre 16 e 72 partes por milhão.
O mineral é usado na fabricação de semicondutores, sistemas de comunicação 5G, equipamentos de defesa e componentes destinados a centros de dados e inteligência artificial.
A empresa também delimitou ao sul uma área de interesse para lítio. O alvo reúne alterações químicas e uma estrutura magnética de aproximadamente cinco quilômetros que ainda deverá ser testada em campo.
Agora, a Atlantico prevê ampliar o mapeamento geológico, coletar novas amostras e realizar estudos geofísicos para detalhar as áreas identificadas. A própria companhia ressalta que os 12 contornos servem para orientar a exploração e não estabelecem limites de mineralização.
A empresa ressalta que parte dos resultados permanece sujeita a uma verificação de controle de qualidade. Um dos materiais de referência analisados apresentou divergências, e a Atlantico aguarda esclarecimentos do laboratório responsável antes de considerar encerrada essa etapa de validação.
O Brasil já concentra projetos importantes ligados a esses minerais. Em janeiro, o iG detalhou onde estão as principais ocorrências de terras raras no país, incluindo áreas de Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe.