
A Justiça de São Paulo decretou a falência de 33 empresas do Grupo Ricoy, que atua no varejo alimentar com as bandeiras Ricoy e Vencedor Atacadista. Com essa decisão, a recuperação judicial iniciada em novembro do ano passado foi convertida em falência após a rejeição do plano de reestruturação pelos credores da Classe III.
A proposta alternativa também não avançou por reunir o apoio de apenas 0,185% dos votos presentes na assembleia, abaixo dos 35% exigidos para votação. A rede tem em cerca de R$ 461 milhões em dívidas sujeitas ao processo, distribuídas entre mais de 4,6 mil credore s.
Com mais de 40 anos de atuação, o grupo atribuiu a crise ao avanço dos atacarejos e das grandes redes no mercado paulista, à redução das margens, aos impactos fiscais da incorporação do Grupo Russi e à alta dos juros e do custo do capital de giro.
Na abertura da recuperação judicial, 33 lojas estavam em funcionamento, mas a operação já faturava abaixo do ponto de equilíbrio mensal, em torno de R$ 45 milhões. Ao longo do processo, 19 unidades encerraram as atividades, e as empresas deixaram de entregar documentos financeiros, contábeis e trabalhistas à administradora judicial em fevereiro de 2026.
O que vai acontecer com as lojas?
De acordo com a atualização mais recente da administradora judicial, nenhuma unidade mantinha funcionamento regular neste mês de agosto. Algumas ainda tinham funcionários e realizavam aberturas pontuais, mas sem itens disponíveis para venda.
Mesmo com a decretação da falência, a decisão não determina o fechamento imediato de todas as lojas.
O destino dos pontos comerciais e dos ativos remanescentes será definido durante o processo de liquidação, enquanto a Vivante Gestão e Administração Judicial ficará responsável por arrecadar e avaliar os bens das empresas.
Falta de documentos e redução das atividades
A decisão também cita informações apresentadas pela administradora judicial Vivante. Conforme o documento, as empresas deixaram de encaminhar documentos operacionais, financeiros, contábeis e trabalhistas desde o início do ano.
Visitas realizadas pela equipe de fiscalização teriam constatado a redução das atividades e o encerramento das operações de 19 unidades que estavam anteriormente em funcionamento. O documento, entretanto, não informa quais lojas foram fechadas.

Quando você passa o cartão, taxas são divididas entre todos os envolvidos
A administradora também relatou a utilização, em algumas unidades, de máquinas de cartão que direcionavam os pagamentos para empresas diferentes daquelas que estavam em recuperação judicial. Além disso, a fábrica de laticínios do grupo, localizada no Mato Grosso, estão com as atividades suspensas.
Para a Justiça, o caso se enquadra em falência relacionada à rejeição do plano de recuperação e ao esvaziamento patrimonial capaz de provocar a liquidação substancial das empresas e prejudicar os credores.
Bloqueio de bens e próximos passos
A empresa deverá arrecadar e avaliar bens, documentos e livros contábeis das companhias atingidas.
A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias, ativos financeiros, veículos e imóveis registrados em nome das empresas. Além disso, foram suspensas ações e execuções contra o grupo, ressalvadas as exceções previstas em lei, e proibidos atos de venda ou transferência de patrimônio sem autorização.
Após a publicação do relatório, os credores terão prazo de 15 dias para apresentar habilitações ou divergências diretamente à administradora judicial.
Situação das lojas da região
O documento analisado não esclarece a situação individual das unidades localizadas em Franco da Rocha e Caieiras.
Por enquanto, não há na decisão uma determinação expressa de fechamento imediato dessas lojas. O funcionamento e o destino de cada estabelecimento deverão ser definidos durante o levantamento dos bens e a administração do patrimônio das empresas falidas.
Também não consta no documento analisado uma manifestação do Grupo Ricoy sobre a continuidade das operações nas duas cidades.
A reportagem do iG entrou em contato com o Grupo Ricoy para questionar os relatos e saber sobre a situação das lojas e a continuidade das operações. Até o momento, não obteve retorno. O espaço segue aberto.
*Estagiária sob supervisão