
A crise financeira das Casas Bahia começa a pressionar a operação da varejista. Um fornecedor passou a exigir pagamento antecipado para entregar novas mercadorias, enquanto a empresa também acumula atrasos no aluguel de dois grandes galpões logísticos. As informações são do O Globo.
A companhia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Ao todo, as dívidas da varejista são estimadas em R$ 17,3 bilhões .
Fornecedor muda prazo de pagamento
Segundo informações obtidas pelo O Globo, um fabricante que fornecia produtos à Casas Bahia com prazo de pagamento de 45 a 90 dias suspendeu pedidos que estavam previstos para as próximas semanas.
Com a mudança, o fornecedor passou a exigir que os produtos sejam pagos à vista antes do envio para as lojas e centros de distribuição.
A alteração ocorre após a Casas Bahia protocolar o pedido de recuperação judicial. Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que outros fornecedores também estariam adotando medidas semelhantes diante das incertezas sobre a situação financeira da varejista.
A dificuldade para conseguir novos produtos pode afetar a reposição dos estoques. No balanço do segundo trimestre, a própria companhia já havia informado que enfrentava dificuldades para recompor os estoques nos níveis planejados.
O estoque, que correspondia a cerca de 95 dias de vendas no fim de março, caiu para 75 dias em 30 de junho.
Casas Bahia diz que operação segue normalmente
Em nota ao O Globo, a Casas Bahia afirmou que “segue operando normalmente” e que tem adotado medidas preventivas para reduzir possíveis impactos no abastecimento e nas entregas.
A empresa também afirmou estar em diálogo com fornecedores e parceiros comerciais e disse que alguns prazos de entrega estão sendo ajustados.
Segundo a varejista, os parceiros comerciais continuam demonstrando apoio à companhia durante o processo de reestruturação.
Galpões têm aluguéis em atraso
Além das dificuldades com fornecedores, a Casas Bahia também enfrenta problemas relacionados à locação de imóveis utilizados em sua operação logística.
Dois grandes galpões, localizados em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), tiveram aluguéis vencidos em agosto ainda não quitados.
Os imóveis pertencem ao fundo imobiliário HSI Logística, administrado pela Apex Group e gerido pela HSI. Segundo a gestora, os pagamentos referentes a julho foram realizados, mas as faturas vencidas em agosto permanecem pendentes.
Na relação de credores da recuperação judicial, o fundo aparece com aproximadamente R$ 4,5 milhões a receber da Casas Bahia.
A empresa foi notificada sobre a possibilidade de aplicação de penalidades previstas nos contratos de locação.
Justiça determina manutenção de contratos essenciais
A situação ocorre poucos dias depois de a Justiça de São Paulo conceder proteção temporária à Casas Bahia contra cobranças de credores.
A decisão também determinou que fornecedores mantenham a entrega de produtos que já estavam em trânsito para lojas e centros de distribuição da companhia.
A medida ainda alcança contratos considerados essenciais para o funcionamento da empresa, incluindo serviços de água, energia elétrica e locação de imóveis operacionais.
A determinação busca evitar que a crise financeira interrompa imediatamente as atividades da varejista enquanto o pedido de recuperação judicial é analisado.
Casas Bahia tem cerca de 28 mil credores
A recuperação judicial envolve aproximadamente 28 mil credores . Entre os fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos que aparecem na relação estão Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG, Motorola e Lenovo.
Os valores devidos a algumas dessas empresas chegam a centenas de milhões de reais.
A Samsung, por exemplo, aparece com cerca de R$ 937,6 milhões a receber. A Electrolux tem aproximadamente R$ 700 milhões, enquanto a Whirlpool aparece com R$ 635,9 milhões e a LG com R$ 623,7 milhões.
Recuperação judicial
O pedido de recuperação judicial foi apresentado pela Casas Bahia em agosto, após a companhia registrar um dos maiores prejuízos de sua história.
A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas em dificuldade financeira para tentar reorganizar suas dívidas e preservar as atividades. Durante o processo, a companhia apresenta um plano aos credores, que precisam avaliá-lo dentro das regras estabelecidas pela Justiça.
No caso das Casas Bahia, a prioridade neste momento é manter a operação funcionando enquanto busca negociar com credores e fornecedores.
A companhia também vem adotando medidas de redução de custos e reestruturação diante da crise financeira.