Fornecedor exige pagamento à vista da Casas Bahia; veja impactos

Varejista, que pediu recuperação judicial com dívidas de R$ 17,3 bilhões, negocia com fornecedores para manter estoques e lojas em funcionamento

Casas Bahia enfrenta ações de despejo de lojas e galpões
Foto: Lívia Coimbra/iG
Casas Bahia enfrenta ações de despejo de lojas e galpões

A crise financeira das Casas Bahia  começa a pressionar a operação da varejista. Um fornecedor passou a exigir pagamento antecipado para entregar novas mercadorias, enquanto a empresa também acumula atrasos no aluguel de dois grandes galpões logísticos. As informações são do O Globo.

A companhia entrou com pedido de recuperação judicial  na Justiça de São Paulo após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. Ao todo, as dívidas da varejista são estimadas em R$ 17,3 bilhões .

Fornecedor muda prazo de pagamento

Segundo informações obtidas pelo O Globo, um fabricante que fornecia produtos à Casas Bahia com prazo de pagamento de 45 a 90 dias suspendeu pedidos que estavam previstos para as próximas semanas.

Com a mudança, o fornecedor passou a exigir que os produtos sejam pagos à vista antes do envio para as lojas e centros de distribuição.

A alteração ocorre após a Casas Bahia protocolar o pedido de recuperação judicial. Fontes ouvidas pelo jornal afirmaram que outros fornecedores também estariam adotando medidas semelhantes diante das incertezas sobre a situação financeira da varejista.

A dificuldade para conseguir novos produtos pode afetar a reposição dos estoques. No balanço do segundo trimestre, a própria companhia já havia informado que enfrentava dificuldades para recompor os estoques nos níveis planejados.

O estoque, que correspondia a cerca de 95 dias de vendas no fim de março, caiu para 75 dias em 30 de junho.

Casas Bahia diz que operação segue normalmente

Em nota ao O Globo, a Casas Bahia afirmou que “segue operando normalmente” e que tem adotado medidas preventivas para reduzir possíveis impactos no abastecimento e nas entregas.

A empresa também afirmou estar em diálogo com fornecedores e parceiros comerciais e disse que alguns prazos de entrega estão sendo ajustados.

Segundo a varejista, os parceiros comerciais continuam demonstrando apoio à companhia durante o processo de reestruturação.

Galpões têm aluguéis em atraso

Além das dificuldades com fornecedores, a Casas Bahia também enfrenta problemas relacionados à locação de imóveis utilizados em sua operação logística.

Dois grandes galpões, localizados em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR), tiveram aluguéis vencidos em agosto ainda não quitados.

Os imóveis pertencem ao fundo imobiliário HSI Logística, administrado pela Apex Group e gerido pela HSI. Segundo a gestora, os pagamentos referentes a julho foram realizados, mas as faturas vencidas em agosto permanecem pendentes.

Na relação de credores da recuperação judicial, o fundo aparece com aproximadamente R$ 4,5 milhões a receber da Casas Bahia.

A empresa foi notificada sobre a possibilidade de aplicação de penalidades previstas nos contratos de locação.

Justiça determina manutenção de contratos essenciais

A situação ocorre poucos dias depois de a Justiça de São Paulo conceder proteção temporária à Casas Bahia contra cobranças de credores.

A decisão também determinou que fornecedores mantenham a entrega de produtos que já estavam em trânsito para lojas e centros de distribuição da companhia.

A medida ainda alcança contratos considerados essenciais para o funcionamento da empresa, incluindo serviços de água, energia elétrica e locação de imóveis operacionais.

A determinação busca evitar que a crise financeira interrompa imediatamente as atividades da varejista enquanto o pedido de recuperação judicial é analisado.

Casas Bahia tem cerca de 28 mil credores

A recuperação judicial envolve aproximadamente 28 mil credores . Entre os fabricantes de eletrodomésticos e eletrônicos que aparecem na relação estão Samsung, Electrolux, Whirlpool, LG, Motorola e Lenovo.

Os valores devidos a algumas dessas empresas chegam a centenas de milhões de reais.

A Samsung, por exemplo, aparece com cerca de R$ 937,6 milhões a receber. A Electrolux tem aproximadamente R$ 700 milhões, enquanto a Whirlpool aparece com R$ 635,9 milhões e a LG com R$ 623,7 milhões.


Recuperação judicial

O pedido de recuperação judicial foi apresentado pela Casas Bahia em agosto, após a companhia registrar um dos maiores prejuízos de sua história.

A recuperação judicial é um mecanismo utilizado por empresas em dificuldade financeira para tentar reorganizar suas dívidas e preservar as atividades. Durante o processo, a companhia apresenta um plano aos credores, que precisam avaliá-lo dentro das regras estabelecidas pela Justiça.

No caso das Casas Bahia, a prioridade neste momento é manter a operação funcionando enquanto busca negociar com credores e fornecedores.

A companhia também vem adotando medidas de redução de custos e reestruturação diante da crise financeira.