INSS nega mais de 4,3 milhões de pedidos no ano e tem fila menor

Apesar da aceleração nas análises de processos, segurados enfrentam alta nas negativas; governo nega existência de lista de cortes para agosto

Cartão INSS
Foto: Divulgação/ INSS
Cartão INSS

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) negou 4.319.336 pedidos de benefícios  neste ano, entre os meses de janeiro e junho, segundo dados do Boletim Estatístico da Previdência Social . O número mostra um aumento de 69,8% em relação ao mesmo período de 2025 e fez com que os indeferimentos superassem as concessões no primeiro semestre do ano.

Apesar do número assustar, não existe uma lista oficial de CPFs de brasileiros que deixarão de receber benefícios em agosto. Os dados correspondem a requerimentos que foram negados, e não a benefícios que já estavam sendo pagos e foram automaticamente suspensos .

O que é um pedido indeferido?

É quando o  INSS analisa uma solicitação, mas decide não conceder o benefício . Isso pode acontecer quando os requisitos não são cumpridos ou quando faltam documentos para comprovar o direito.

No primeiro semestre, o INSS concedeu 4.239.522 benefícios, quase 80 mil a menos que o total de pedidos indeferidos. Somente em junho, foram 938.180 negativas, enquanto 792.531 requerimentos receberam aprovação .

Negativas aumentam enquanto fila do INSS diminui

O crescimento das recusas acontece ao mesmo tempo em que a fila de processos do instituto diminui . O estoque de requerimentos que aguardavam análise há mais de 45 dias caiu de 1,882 milhão em janeiro para 374 mil no mês de julho, uma redução de aproximadamente 80%.

Em julho, o INSS também alcançou o maior volume mensal de análises  na história, com 1,658 milhão de processos concluídos . Segundo o Governo, a estratégia busca acelerar as respostas aos segurados e reduzir a quantidade de pedidos pendentes.

O aumento dos indeferimentos, levantou um questionamentos sobre os critérios usados nas análises . Em entrevista ao Dário do Comércio  o advogado João Badari, especialista em direito previdenciário, diz que a alta pode estar relacionada a um maior rigor nas avaliações, mas também a problemas como documentação insuficiente, dificuldade na comprovação dos requisitos, exigências excessivas e decisões automatizadas.

A redução da fila é positiva para quem espera uma resposta, mas a qualidade das decisões também precisa ser observada. Caso pedidos sejam negados de forma indevida, pode haver aumento da judicialização, com segurados procurando a Justiça para contestar as decisões .

Benefícios por incapacidade são as maiores negativas

Os benefícios relacionados à incapacidade  representaram a maior parte das recusas registradas no primeiro semestre.

Dos 4.319.336 indeferimentos, 2.762.767 estavam relacionados a benefícios por incapacidade, como o auxílio por incapacidade temporária e a aposentadoria por incapacidade permanente . O número corresponde a aproximadamente 64% de todas as negativas.

Os demais 1.556.569 casos envolveram diferentes modalidades previdenciárias e assistenciais.

Os motivos variam de acordo com o benefício. Em julho, os benefícios por incapacidade, a principal razão para a negativa foi a não comprovação da incapacidade pela perícia médica.

No BPC, o motivo mais frequente foi o não atendimento ao critério relacionado à deficiência . Nas pensões, a falta de comprovação da condição de dependente apareceu entre as principais causas. Já para as  aposentadorias, foram registradas situações relacionadas ao não cumprimento de regras específicas ou especiais.

Mas, ter um pedido negado não significa necessariamente perder o direito ao benefício. Dependendo do caso, o segurado pode contestar a decisão e apresentar recurso.

Número de negativas cresceu ao longo do ano

O aumento não aconteceu de maneira isolada. Em janeiro, foram 378.792 pedidos indeferidos. O número subiu para 898.162 em maio e chegou a 938.180 em junho.

Na comparação com 2025, a diferença também é grande. No primeiro semestre do ano passado, o INSS registrou aproximadamente 2,54 milhões de indeferimentos. Em 2026, foram 4,319 milhões.

Em junho de 2025, foram 568.496 negativas, contra cerca de 938 mil no mesmo mês deste ano.

Ao mesmo tempo, as concessões cresceram 13,41% na comparação entre os primeiros seis meses dos dois anos, ritmo bem inferior ao avanço dos indeferimentos.

O que fazer quando o INSS nega o benefício?

beneficio negado
Foto: shutterstock
beneficio negado

O primeiro passo é consultar o motivo da decisão no aplicativo ou site Meu INSS. O segurado também pode baixar a cópia integral do processo para verificar quais documentos foram analisados e por que o pedido foi recusado.

Caso não concorde com o resultado, é possível apresentar um Recurso Ordinário ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). O prazo é 30 dias após o segurado tomar conhecimento da decisão.

Dependendo do motivo, também pode ser necessário corrigir informações, reunir novos documentos, fazer outro requerimento ou avaliar a possibilidade de r ecorrer à Justiça.

Desde abril, o INSS também passou a aplicar uma regra para evitar pedidos repetidos de aposentadorias, pensões e auxílios para o mesmo CPF . Enquanto existir prazo para recurso, não deve ser apresentado um novo requerimento para o mesmo benefício pelo mesmo interessado.

Quem tem direito aos benefícios do INSS?

Os benefícios do INSS são destinados aos segurados que contribuem ou já contribuíram para a Previdência Social e atendem às regras de cada modalidade.

Entre os principais estão:

  • aposentadorias;
  • pensão por morte;
  • auxílio por incapacidade temporária;
  • auxílio-acidente;
  • auxílio-reclusão;
  • salário-maternidade.

Cada benefício possui exigências próprias, como tempo de contribuição, período de carência ou comprovação da condição que dá direito ao pagamento.

Quem tem direito ao BPC/LOAS?

O Benefício de Prestação Continuada (BPC) garante o pagamento de um salário mínimo mensal para idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de qualquer idade que atendam aos critérios de baixa renda.

O BPC não é uma aposentadoria e, por isso, não exige contribuição anterior à Previdência Social. O benefício também não dá direito ao 13º salário nem gera pensão por morte.

Para receber o pagamento, é necessário:

  • ter 65 anos ou mais ou possuir deficiência comprovada por avaliação biopsicossocial;
  • estar com o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado a cada dois anos, com o CPF de todos os integrantes da família;
  • possuir registro biométrico na Carteira de Identidade Nacional (CIN), no Título de Eleitor ou na base da Polícia Federal.

Quem já recebe um benefício não deve interpretar esses dados como uma suspensão automática do pagamento. Já quem teve um requerimento negado deve consultar o motivo da decisão e verificar se pode recorrer.

*Estagiária sob supervisão