Casas Bahia: relembre polêmicas envolvendo o fundador Saul Klein

Empresário foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 30 milhões em ação sobre exploração sexual e, em 2026, virou réu em processo criminal

Saul Klein, empresário
Foto: Reprodução
Saul Klein, empresário

Com o início da recuperação judicial solicitada pelo Grupo Casas Bahia, uma antiga polêmica envolvendo Saul Klein, filho do fundador da rede, voltou a chamar a atenção. O empresário  começou a ser chamado de  Jeffrey Epstein brasileiro.

O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo ontem (16) . A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração e pelo acionista controlador da companhia e protocolada na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

Como surgiram as Casas Bahia?

As Casas Bahia  foi fundada em 1952, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, pelo imigrante polonês Samuel Klein . Antes de abrir a primeira loja da rede, ele trabalhava como comerciante e vendia produtos de porta em porta.

Em 1957, Samuel abriu a primeira loja física, que recebeu o nome de Casas Bahia em homenagem aos muitos clientes nordestinos que viviam na região.

A empresa cresceu apostando principalmente no crediário, facilitando a compra de móveis e eletrodomésticos para consumidores que tinham dificuldade de acesso ao crédito. Com o passar dos anos, a rede se tornou uma das maiores varejistas do Brasil.

Foi nesse contexto que a família Klein construiu sua relação com a empresa. Saul Klein, filho de Samuel, também participou dos negócios da família, mas vendeu sua participação societária na rede em 2010.

Mas os problemas que envolvem a família Klein vão muito além da situação financeira das Casas Bahia. Enquanto a empresa enfrenta uma crise bilionária, Saul Klein voltou a aparecer nas mídias por conta de denúncias de exploração sexual envolvendo mulheres e adolescentes.

Como começaram as denúncias?

As acusações ganharam repercussão em 2020 no auge da pandemia da covid-19, após uma r eportagem do UOL revelar relatos de mulheres que frequentavam propriedades do empresário e denunciar supostos casos de aliciamento e exploração sexual.

O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que analisou denúncias e documentos r elacionados às mulheres que frequentavam as propriedades do empresário .

Anos depois, em 2024, uma investigação da Agência Pública ouviu mais de 60 pessoas, entre mulheres, ex-funcionários das Casas Bahia, ex-seguranças da família Klein, jornalistas e advogados. A reportagem também analisou mais de 5 mil páginas de processos judiciais.

Justiça condenou Saul Klein a pagar R$ 30 milhões

Em 2023, a Justiça do Trabalho condenou Saul Klein ao pagamento de R$ 30 milhões por dano moral coletivo em uma ação movida pelo MPT.

Segundo o órgão, o empresário teria atraído adolescentes e jovens entre 16 e 21 anos, em situação de vulnerabilidade social e econômica, com a promessa de oportunidades de trabalho como modelos.

Ainda de acordo com o MPT, após o aliciamento, as mulheres eram submetidas a um esquema de exploração sexua l nas propriedades de Klein.

Na sentença, a Justiça reconheceu, para fins trabalhistas, que diversas mulheres eram mantidas em condição análoga à de escravo e contratadas para trabalhos sexuais em favor do empresário.

Além da indenização, Klein foi proibido de praticar atos relacionados ao tráfico de pessoas, exploração sexual e submissão de pessoas a condições análogas à escravidão. A decisão também estabeleceu multa de R$ 100 mil para cada descumprimento.

Para onde vai a indenização?

Os R$ 30 milhões determinados pela Justiça serão destinados a três instituições sem fins lucrativos. O processo trabalhista corre em segredo de Justiça para preservar a identidade e a intimidade das vítimas.

Saul Klein virou réu em 2026

O caso ganhou atualizações em maio deste ano. A Justiça de São Paulo tornou Saul Klein réu em um processo criminal que apura acusações relacionadas à exploração sexual e organização criminosa .

Segundo a decisão, o empresário passou a responder por quatro crimes, entre eles organização criminosa e favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual. Outras sete pessoas também passaram a responder ao processo.

O documento da 2ª Vara Criminal de Barueri foi assinado em 11 de maio de 2026.

Réu significa que a Justiça aceitou a denúncia e que o empresário passará a responder ao processo. Isso não representa uma condenação criminal.  A defesa de Saul Klein nega as acusações e afirma que as relações eram consensuais.

E qual é a relação com as Casas Bahia?

Saul Klein é filho de Samuel Klein, fundador da rede. Apesar da ligação familiar com a história da empresa, as acusações envolvendo o empresário e o atual processo de recuperação judicial  são situações diferentes.

O Grupo agora tenta reorganizar suas dívidas e continuar as operações enquanto o pedido de recuperação judicial é analisado pela Justiça.

Sofreu violência? Saiba onde buscar ajuda

Mulheres que passaram por situações de abuso, violência ou exploração sexual podem procurar ajuda e denunciar. A vítima não precisa enfrentar a situação sozinha e também pode buscar atendimento especializado para receber orientação e apoio.

Confira os principais canais:

  • Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, gratuita e disponível 24 horas por dia. O serviço recebe denúncias, oferece orientações e informa os serviços de proteção disponíveis em cada região.
  • WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180. O canal também pode ser usado para buscar orientação e fazer denúncias.
  • Polícia Militar 190: em casos de emergência, violência em andamento ou risco imediato.
  • Delegacias da Mulher (DEAMs): também é possível procurar uma unidade especializada ou qualquer delegacia de polícia para registrar a ocorrência e buscar orientação.

Se você conhece alguém que esteja passando por uma situação de violência, também pode procurar o Ligue 180 . O canal aceita denúncias feitas pela própria vítima ou por qualquer pessoa que tenha conhecimento do caso.

*Estagiária sob supervisão