
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pretende investir R$ 50 bilhões em projetos de minerais críticos, podendo contemplar investimentos em 56 projetos, que atualmente estão em análise pela instituição. A informação foi divulgada pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (12), em São Paulo, convocada para a apresentação do resultado financeiro e desempenho operacional do banco até junho deste ano.
Durante a entrevista coletiva, além de anunciar um lucro de R$ 9,2 bilhões no 1º semestre de 2026 e ativos que chegaram a R$ 1,058 trilhão em junho, maior valor já registrado pela instituição, Mercadante informou que o BNDES tem procurado diversificar sua carteira, investindo em novos setores e projetos como o carro voador, inteligência artificial, além de minerais críticos e terras raras.
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Minerais críticos são elementos usados na produção de baterias, equipamentos tecnológicos e na transição energética.
Vamos entrar forte em terras raras, lítio e em mobilidade. Estamos financiando o PIB de toda indústria automotiva para fazer o elétrico flex para trazer o biocombustível junto com a mobilidade elétrica, que é uma rota tecnológica própria que o Brasil está perseguindo Aloizio Mercadante, presidente do BNDES
Mercadante classificou os minerais críticos como estratégicos para a economia e para o avanço tecnológico do país e exemplificou a necessidade de subsidiar o setor de minerais críticos com as terras raras, elementos em que o Brasil possui uma das maiores reservas globais.
Destacou que o Brasil tem 23% da reserva de terras raras do planeta, a segunda maior, ficando atrás apenas da China, que tem em torno de 45%.
Quem concentra a produção dos super ímãs é a China, que é um elemento vital para toda a nova tecnologia ligada a motor elétrico e, mesmo, à defesa”, afirmou.
Diversificação
Mercadante disse ainda que o BNDES tenta diversificar os investimentos visando áreas inovadoras e de maior valor agregado. E acrescentou que segmentos como bioinsumos, inteligência artificial, fertilizantes e a indústria aeroespacial estão sendo priorizados pelo banco, em alinhamento com a inovação e o plano de reindustrialização nacional.
Nós tínhamos uma meta de R$ 250 bilhões, já cumprimos a nossa meta em mais de R$ 300 bilhões e vamos fazer mais de R$ 370 bilhões de crédito em quatro anos”, disse o presidente do BNDES, se referindo aos investimentos. Aloizio Mercadante
El Niño
Na coletiva, o presidente do banco público acrescentou disse que a instituição trabalha tanto em projetos de reconstrução como em iniciativas de prevenção e combate a mudanças climáticas. Mencionou o El Niño e possíveis impactos e disse que o "BNDES não vai faltar".
Nós vamos ter novas emergências climáticas. O El Niño está vindo com força e tudo sinaliza que este ano já está muito mais quente no Brasil do que em 2024. Devemos ter muita chuva no sul, ondas de calor no Sudeste e muita seca no Norte e Nordeste. Então [o BNDES] vai ter que entrar [nesse tema]. Vamos ter que ajudar essas empresas, essas comunidades, essas famílias Aloizio Mercadante
Participaram da coletiva em São Paulo, além do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os diretores Financeiro e de Mercado de Capitais, Alexandre Abreu, e de Planejamento e Relações Institucionais, Nelson Barbosa, e outros membros da diretoria.