
À venda desde 2024, a mansão do apresentador Márcio Garcia, localizada no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, passou por reduções no valor pedido. Inicialmente foi anunciada por R$ 250 milhões, a propriedade teve o preço reajustado para se adequar às condições reais do m ercado imobiliário.


Nos Estados Unidos, o ator Alec Baldwin enfrentou um cenário parecido. Ele listou sua mansão por US$ 29 milhões (cerca de R$ 168,2 milhões), mas teve que baixar o preço para US$ 18,99 milhões (em torno de R$ 110,1 milhões).
A situação traz um debate no mercado imobiliário de luxo: afinal, a fama do antigo proprietário realmente tem diferença no valor de um imóvel?

Segundo Paulo Dornelle, fundador da Okre Imóveis, especializada no segmento de alto padrão e com atuação voltada ao mercado secundário de luxo, o antigo proprietário pode trazer certa curiosidade, desejo e até agregar status para alguns compradores, principalmente quando se trata de imóveis icônicos. Mas, na prática, quem investe nesse segmento costuma priorizar fatores como localização, privacidade, arquitetura, funcionalidade e potencial de valorização.
Outro desafio na venda de imóveis conhecidos do público é lidar com os chamados "turistas imobiliários", pessoas que demonstram interesse apenas para conhecer a casa da celebridade, sem intenção real de compra.
"Muitas vezes recebemos pessoas interessadas apenas em conhecer a casa do famoso, sem real capacidade ou intenção de compra. Isso exige um filtro muito mais rigoroso e criterioso no processo de visitação", explica Dornelle. Paulo Dornelle, fundador da Okre Imóveis
Além disso, a personalização também pode limitar o número de interessados.
Grandes mansões costumam refletir o estilo de vida e os gostos do antigo proprietário, o que nem sempre agrada ao próximo morador. Por isso, é comum que esses imóveis passem por ajustes no preço, reformas estratégicas e até mudanças na identidade visual para se adequarem às expectativas do mercado.

mansão de Boca Rosa custou R$ 18 mi e tem aquário de tubarões
Exemplos de casas de famosos com características marcantes não faltam. O ator Murilo Benício possui uma pista de skate no subsolo da residência, no Rio de Janeiro. Já a influenciadora Bianca Andrade (Boca Rosa), projetou um aquário gigante no chão da sala para criar tubarões. O cantor Léo Santana e a dançarina Lore Improta também chamaram atenção ao instalar uma piscina suspensa de vidro sobre o teto da sala de estar.
No mercado de luxo, especialmente no Rio de Janeiro, quem está disposto a investir milhões de reais costuma tomar decisões de forma bem criteriosa. Embora exclusividade e história possam agregar valor, a escolha final envolve uma análise técnica que considera localização, segurança, privacidade, comparação com imóveis semelhantes e potencial patrimonial.
Para Dornelle, a decisão dificilmente acontece apenas pelo lado emocional. "A análise raramente se concentra apenas no campo das emoções, tornando a venda mais demorada e exigindo de quem intermedeia a negociação conhecimento profundo do mercado, estratégia e muita preparação", finaliza o especialista. Paulo Dornelle, fundador da Okre Imóveis
A Okre Imóveis é especializada no segmento de alto padrão, com atuação focada no mercado secundário de luxo. A empresa conta com cinco lojas físicas e um time de cerca de 180 profissionais distribuídos entre o Rio de Janeiro, São Paulo e João Pessoa. O modelo de negócio combina inteligência de mercado e atendimento consultivo para oferecer uma experiência personalizada a clientes que desejam comprar, vender ou alugar imóveis.
*Estagiária sob supervisão