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Reprodução/Marcello Casal JrAgência Brasil
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Os bancos têm até esta terça-feira (12) para transferir ao governo parte do dinheiro esquecido por correntistas em contas bancárias, consórcios e outras operações financeiras.

A medida faz parte do Desenrola 2.0, nova fase do programa de renegociação de dívidas do governo federal. O dinheiro será enviado ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), usado como garantia para bancos oferecerem crédito e descontos a quem está endividado.

Hoje, segundo o Banco Central, ainda existem R$ 10,55 bilhões esquecidos no sistema financeiro. O valor pertence a mais de 47 milhões de pessoas físicas e 5 milhões de empresas.

Desse total:

  • R$ 8,15 bilhões são de pessoas físicas;
  • R$ 2,4 bilhões pertencem a empresas.

O governo calcula usar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões desses recursos para reforçar o Desenrola.

A transferência foi regulamentada por uma portaria publicada na última semana pelo Ministério da Fazenda.

O que é esse dinheiro esquecido

São valores que ficaram parados em contas encerradas, tarifas cobradas indevidamente, cotas de consórcio não resgatadas e outros recursos abandonados pelos clientes.

Bancos transferem dinheiro esquecido ao governo nesta terça (12)
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Bancos transferem dinheiro esquecido ao governo nesta terça (12)

Boa parte desse dinheiro está vinculada a contas antigas ou pessoas que sequer sabem que têm saldo a receber.

Até agora, esses recursos permaneciam nas instituições financeiras aguardando solicitação dos clientes.

Com a nova regra, o dinheiro não reclamado será enviado ao FGO.

O governo pode ficar com o dinheiro?

Não imediatamente.

A Fazenda afirma que os correntistas continuarão com direito ao resgate mesmo após a transferência.

Segundo a portaria, 10% do saldo transferido ficará separado justamente para cobrir pedidos de devolução feitos pelos clientes.

Depois da transferência desta terça, o governo publicará um edital de chamamento no Diário Oficial da União. A partir daí, começará a contar um prazo de 30 dias corridos para contestação.

Nesse período, o correntista poderá consultar:

  • o valor transferido;
  • o banco responsável;
  • agência;
  • número da conta.

O acesso será feito por um sistema restrito do governo.

Quem pedir a devolução deverá apresentar documentos para comprovar o direito ao dinheiro.

Como funciona a devolução

Se o pedido for aceito, o valor volta do fundo público para o banco, que terá até 15 dias úteis para devolver o dinheiro ao cliente.

O montante será corrigido pelo IPCA-15.

O governo diz que, terminado o prazo de contestação, os valores não reclamados serão incorporados definitivamente ao patrimônio do FGO.

Na prática, passarão a ser usados como garantia das operações do Desenrola 2.0.

Por que o governo quer usar esse dinheiro

O FGO funciona como uma espécie de colchão de segurança para os bancos.

Se parte dos empréstimos ou renegociações der calote, o fundo cobre uma parcela da perda das instituições financeiras.

A equipe econômica argumenta que isso reduz risco para os bancos e ajuda a ampliar descontos e condições de renegociação para famílias endividadas.

O Ministério da Fazenda afirma que os recursos “passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas”.

Ainda dá para consultar dinheiro esquecido?

Sim.

O sistema do Banco Central continua funcionando normalmente para consulta e resgate de valores esquecidos.

A consulta pode ser feita pelo Sistema de Valores a Receber (SVR), usando conta Gov.br.

Quem já sabe que tem dinheiro parado e ainda não pediu resgate deve procurar a instituição financeira o quanto antes.

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