A China anunciou uma nova meta de crescimento econômico para 2026 e confirmou uma estratégia mais cautelosa para os próximos anos. O governo estabeleceu que o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar entre 4,5% e 5%, um dos objetivos mais baixos desde 1991.
O plano foi apresentado durante a abertura da sessão anual do Parlamento em Pequim, na China, quando o primeiro-ministro Li Qiang apresentou o relatório econômico do governo com as principais diretrizes para o ano. A meta indica uma desaceleração em relação ao crescimento de cerca de 5% registrado em 2025 e reforça a mudança de postura das autoridades diante de um cenário econômico mais desafiador.
Durante a apresentação, Li Qiang afirmou que o país ainda enfrenta dificuldades internas e externas que exigem mais cautela na condução da política econômica.
“ Embora tenhamos alcançado avanços importantes, ainda enfrentamos desafios e pressões
”, disse o premiê ao apresentar o plano econômico ao Parlamento.
Segundo ele, a meta foi definida considerando o ambiente global incerto e o processo de transformação da economia chinesa.
“ O crescimento em torno de 5% reflete as condições atuais da economia e a necessidade de promover um desenvolvimento estável e de qualidade
”, afirmou.
Crescimento menor se repete nos últimos anos
A decisão também reforça uma tendência recente. Ao longo da última década, a China vem reduzindo gradualmente seus objetivos de expansão econômica, refletindo mudanças profundas em seu modelo de desenvolvimento.
Antes da pandemia de Covid-19 , o país costumava estabelecer números superiores a 6%. Nos últimos anos, no entanto, o crescimento passou a ficar mais próximo de 5% e agora, pela primeira vez em décadas, o governo trabalha oficialmente com um intervalo abaixo desse nível
Pressões internas e externas
Entre os principais fatores que pesam sobre a economia do país está a crise no setor imobiliário, que já teve grande peso na atividade econômica chinesa e agora passa por um período de ajustes após anos de expansão acelerada.
Além disso, o país lida com outros desafios, como:
Recuperação desigual do consumo doméstico;
envelhecimento da população;
menor ritmo da economia global;
tensões comerciais e tecnológicas com outras potências.
Esses elementos têm levado o governo chinês a buscar um crescimento menos dependente de investimentos em imóveis e infraestrutura, modelo que marcou o avanço econômico das últimas décadas.
Novo plano com foco em tecnologia
A meta para 2026 também está alinhada às prioridades econômicas do governo para os próximos anos, com foco em inovação tecnológica, indústria de alto valor agregado e aumento da produtividade.
No relatório apresentado ao Parlamento, Li também destacou que o país pretende reforçar investimentos em setores estratégicos e acelerar a modernização da economia. “Vamos impulsionar novas forças produtivas e promover um desenvolvimento de alta qualidade”, afirmou o premiê.
O governo também pretende ampliar medidas para estimular o consumo interno, considerado um dos pilares da estratégia econômica para os próximos anos.
O país quer criar cerca de 12 milhões de empregos urbanos e a manutenção da taxa de desemprego em torno de 5,5%, além de investimentos em inovação e pesquisa.
Mesmo com a desaceleração, a China continua entre as maiores locomotivas do crescimento global. O desafio agora, segundo especialistas, será manter o ritmo de expansão enquanto o país tenta reequilibrar sua economia e reduzir dependências estruturais que marcaram sua trajetória nas últimas décadas.