Navio gaseiro
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Navio gaseiro

A assinatura dos novos contratos do Programa Mar Aberto, nesta terça-feira (20), em Rio Grande (RS), trouxe ao centro do debate um tipo de embarcação pouco conhecido do grande público, mas essencial para o funcionamento do setor energético brasileiro: os navios gaseiros.

São eles que garantem o transporte seguro de gases liquefeitos, como o GLP, usado diariamente em milhões de residências e em diversos setores da indústria.

O que são os navios gaseiros e por que eles importam

Navios gaseiros são embarcações projetadas especificamente para transportar gases liquefeitos, que precisam ser mantidos sob pressão ou baixas temperaturas para permanecerem no estado líquido. No caso dos contratos assinados pela Petrobras e pela Transpetro, os navios serão do tipo pressurizado, voltados principalmente ao transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e outros derivados.

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Esse tipo de transporte é considerado estratégico porque o GLP é um insumo básico para cozinhar, aquecer e abastecer processos industriais. No Brasil, parte significativa desse produto circula por vias marítimas e fluviais, especialmente em regiões onde o transporte rodoviário é limitado ou mais caro, como na Região Norte.

Investimento bilionário e retomada da indústria naval

Os contratos preveem um investimento total de R$ 2,8 bilhões, sendo R$ 2,2 bilhões destinados exclusivamente à construção de cinco navios gaseiros no Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Três dessas embarcações terão capacidade para 7 mil metros cúbicos, enquanto outras duas poderão transportar 14 mil metros cúbicos de gás liquefeito.

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Com a entrega dos novos navios, a frota de gaseiros da Transpetro passará de seis para 14 unidades, praticamente triplicando a capacidade atual de transporte de GLP e derivados. A expansão acompanha o aumento da produção nacional de gás natural e reduz a dependência de embarcações alugadas, o chamado afretamento.

Além do impacto logístico, o projeto simboliza a retomada da indústria naval brasileira, com obras distribuídas por estaleiros de três estados e potencial de geração de mais de 9 mil empregos diretos e indiretos.

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Tecnologia, eficiência e menor impacto ambiental

Os novos gaseiros foram desenhados com foco em eficiência energética e sustentabilidade. Segundo a Transpetro, as embarcações poderão ser até 20% mais eficientes no consumo de energia, além de reduzir em 30% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com modelos atuais.

Outro diferencial é a possibilidade de operação em portos eletrificados, o que permite desligar os motores durante as operações portuárias e diminuir ainda mais a poluição local. O cronograma prevê o lançamento da primeira unidade em até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses.

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Uso marítimo e fluvial

Embora sejam tradicionalmente associados à navegação costeira, os novos navios gaseiros também foram pensados para atuar em rotas fluviais, como já ocorre na Região Norte e na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Essa versatilidade amplia o alcance da logística de gás e garante abastecimento regular a regiões mais isoladas.

Programa Mar Aberto e soberania energética

O Programa Mar Aberto é uma das principais apostas do Sistema Petrobras para os próximos anos. Entre 2026 e 2030, a iniciativa prevê US$ 6 bilhões em investimentos, incluindo a construção de 20 navios de cabotagem, além de barcaças, empurradores e o afretamento de embarcações de apoio às atividades de exploração e produção.


Durante a cerimônia, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a ampliação da frota prepara a companhia para o crescimento da produção e fortalece a economia nacional. Já o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, destacou que a renovação da frota reduz custos, aumenta a eficiência logística e reforça a soberania energética do país.

Ao apostar em navios gaseiros mais modernos e eficientes, o Brasil não apenas amplia sua capacidade de transporte de gás, como também sinaliza um novo ciclo de investimentos na indústria naval, com reflexos diretos na economia, no emprego e na transição energética.

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