A McDonald’s anunciou que exigirá que todos os restaurantes paguem o salário mínimo federal de US$ 7,25 por hora a todos os funcionários, incluindo aqueles que recebem gorjetas, e comunicou sua saída da NRA (National Restaurant Association). A decisão ocorre em meio a divergências sobre a política de gorjetas e o tratamento salarial no setor.
O CEO da empresa, Chris Kempczinski, defende que a prática de pagar menos a trabalhadores que recebem gorjetas cria uma “competição desigual”, já que a McDonald’s não aceita gorjetas e garante aos funcionários pelo menos o salário mínimo federal.
Ele argumenta que um valor unificado para todos os trabalhadores reduziria a pobreza e a rotatividade sem causar perda de empregos.
A saída da NRA foi motivada por diferenças em relação à política de gorjetas. A associação se opõe a aumentos no salário mínimo e à eliminação do valor reduzido para trabalhadores que recebem gorjetas, enquanto a McDonald’s considera a posição incompatível com sua visão de remuneração.
A decisão reforça o apoio da empresa a grupos trabalhistas, como o One Fair Wage, que critica o salário mínimo reduzido como “indefensável”.
A política interna da McDonald’s não permite que funcionários aceitem gorjetas. A empresa promove um modelo em que o pagamento não depende de recompensas individuais e incentiva doações para a Ronald McDonald House Charities.
Segundo Kempczinski, a legislação de julho de 2025, que isenta de impostos as gorjetas, beneficia apenas restaurantes que dependem desse sistema, criando vantagem financeira para concorrentes como Chili’s e IHOP, que podem pagar salários mais baixos.
Ele aponta que estados como Califórnia, Alasca e Minnesota já adotam um salário mínimo único para trabalhadores com e sem gorjetas, registrando taxas de pobreza menores — 11,1% em comparação a 18,5% em estados com salário reduzido para gorjetas. A McDonald’s sugere que essa prática seja adotada de forma mais ampla.
Mercado tem pressionado a empresa
No primeiro trimestre de 2025, as vendas caíram 3,6%, impactadas por inflação, aumento de preços no menu e competição de cadeias casuais como Chick-fil-A, Texas Roadhouse e Longhorn Steakhouse.
A McDonald’s já havia aumentado salários em lojas corporativas em cerca de 10% em 2021, com trabalhadores de nível inicial recebendo entre US$ 11 e US$ 17 por hora e gerentes entre US$ 15 e US$ 20. A empresa estimula seus franqueados, responsáveis por 95% das lojas nos EUA, a seguirem o mesmo padrão.
Movimentos trabalhistas, como o “Fight for $15”, também influenciam a decisão, pressionando por aumento do salário mínimo desde 2012. Estados como Califórnia registraram aumentos graduais, com fast-food alcançando US$ 20/hora em 2024.
Chicago eliminou gradualmente o salário mínimo reduzido para trabalhadores com gorjetas, enquanto Washington, D.C., pausou implementação semelhante.
Além disso, cresce a insatisfação de consumidores com a obrigação de dar gorjetas, conhecida como “tip fatigue”, que também contribui para a discussão sobre salários e políticas de gorjetas nos Estados Unidos.