O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou nesta sexta-feira (1º) a possibilidade do governo federal retaliar as tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. Segundo o ministro, a prioridade da gestão é atenuar os efeitos sobre os setores afetados.
"Não houve desistência da decisão [de retaliar] porque essa decisão não foi tomada. Nós nunca usamos esse verbo para caracterizar as ações que a economia brasileira vai tomar. São ações de proteção da soberania, proteção da nossa indústria, do nosso agronegócio. São medidas de reação a uma ação injustificável e proteção da economia e soberania brasileiras. Essa palavra [retaliação] não figurou no discurso do presidente e de nenhum ministro", disse Haddad a jornalistas.
A fala de Haddad indica que não há pretensão do governo de acionar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos. Isso contrasta com o que foi dito pelo presidente Lula no dia em que foi anunciado o tarifaço.
"Neste sentido, qualquer medida de elevação de tarifas de forma unilateral será respondida à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica. A soberania, o respeito e a defesa intransigente dos interesses do povo brasileiro são os valores que orientam a nossa relação com o mundo", afirmou o presidente nas redes sociais no dia 9 de julho.
Ainda na conversa com os jornalistas, o ministro disse que as tarifas impostas por Donald Trump são "deliberadamente políticas". Além disso, disse que o Brasil vai procurar as autoridades competentes - como a Organização Mundial do Comércio - para denunciar a taxação.
"Nós entendemos que há canais competentes, nos quais o Brasil pode defender seus interesses na OMC [Organização Mundial do Comércio], na justiça americana, onde vários empresários tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil estão recorrendo para salvaguardar seus interesses. E, sim, buscar os canais diplomáticos competentes para atenuar os efeitos da decisão sobre a economia brasileira", acrescentou o ministro da Fazenda.
Plano de proteção
O ministro também confirmou que o governo articula um plano de proteção aos setores afetados, com enfoque nos empregos. Entre as ações planejadas, estão linhas de crédito aos setores cujas exportações aos EUA foram sobretaxadas.
"Do nosso lado aqui, já, junto com vice-presidente Geraldo Alckmin, estamos encaminhando ao palácio do planalto as primeiras medidas já formatadas. Para que o presidente julgue a oportunidade de soltá-las. A partir da semana que vem, já vamos poder, de acordo com a decisão do presidente, tomar as primeiras medidas de proteção à indústria e agricultura nacionais", disse Haddad.
O plano foi detalhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin em entrevista ao programa Mais Você, da TV Globo. Segundo o ministro do Desenvolvimento, as medidas de contingência têm três etapas principais, focadas na diminuição das tarifas, em novos mercados e na manutenção dos empregos.
"Ele foca no emprego, em preservar o emprego e a produção. Ninguém vai ficar desamparado. Primeiro, aqueles 35,9% que foram efetivamente atingidos pela tarifa, nós vamos lutar para diminuir. Não damos isso como um assunto encerrado. A negociação não encerrou ontem", disse.
"Segundo, procurar alternativas de mercado, então, você tem outros locais para colocar. E terceiro, apoiar setores", continuou o ministro.
De acordo com Alckmin, cerca de 35,9% das exportações brasileiras aos EUA serão afetadas pela tarifa de 50%. Entre elas, estão o café e a carne bovina, os dois principais produtos exportados pelo Brasil às terras norte-americanas.