Copom elevou taxa básica de juros para 13,25% nesta quarta-feira
Sophia Bernardes
Copom elevou taxa básica de juros para 13,25% nesta quarta-feira

O Comitê de Políticas Monetárias do Banco Central (Copom) reajustou nesta quarta-feira (15), pela 11ª vez seguida, a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,5 ponto percentual, atingindo a marca de 13,25%. O patamar é o maior registrado desde janeiro de 2017.

A alta já era esperada devido à pressão causada pela inflação no país. Enquanto a previsão da inflação de 2022 já se aproxima de 9%, a de 2023 superou as expectativas e deverá encerrar em 4,39%, segundo o mercado financeiro.

"O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas", afirmou o BC, em comunicado. 

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas Borsoi, explica que o processo de difusão da inflação tem incomodado o Banco Central e deixado o mercado em alerta nas últimas semanas.

"A inflação corrente está elevada, com o processo de alta de preços (aquilo que os economistas chamam de difusão) muito disseminado, e com as expectativas de inflação, em especial a de 2023, acima da meta".

A elevação da taxa básica de juros segue a tendência dos principais mercados mundiais. Nesta quarta-feira, por exemplo, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, reajustou a taxa de juros em 0,75%, o maior índice em 28 anos.

"Foi um movimento causado pela inflação global dessa vez, então não só por problemas domésticos, mas também por problemas globais. Tanto que a inflação segue em alta ao redor do mundo, nos Estados Unidos principalmente.", explica Bruno Hora, co-fundador da InvestSmart.

Impactos

A decisão do Banco Central, basicamente, reduz o estímulo da economia brasileira para controlar a inflação. Ou seja, a geração de empregos e a contratação de financiamentos e empréstimos serão afetados. Enquanto a geração de emprego deve cair nos próximos meses, o valor das parcelas de empréstimos devem ficar mais caros.

A alta na taxa básica de juros ainda afugenta investidores em renda variável, pela incerteza do que poderá acontecer com a economia do país. No entanto, quem tem investimentos em renda fixa, como o Tesouro Selic, vai se favorecer com a alta dos juros.

Entre no  canal do Brasil Econômico no Telegram e fique por dentro de todas as notícias do dia. Siga também o  perfil geral do Portal iG

"Quando temos essa parte do ciclo econômico de juros altos e crédito mais caro, no impacto dos investimentos e normal que as empresas de crédito mais caro, diminuam o apetite de investir no próprio negócio", ressalta Hora.

"O impacto no investimento é um custo de oportunidade mais caro, então obviamente a bolsa do Brasil sente quando os juros sobem. Os investimentos de renda fixa continuam em evidência, o cenário da bolsa continua volátil, por todos os fatores externos como ano político, guerra e outros assuntos domésticos que causam essa volatilidade. Tenho visto um movimento de procura de investimentos para ativos de renda fixa, fundos imobiliários e ações ou títulos de empresas ligados aos setores mais resilientes da nossa economia, como commodities e banco", completa.

Próximas reuniões

O reajuste na Selic anunciado nesta quarta é o primeiro abaixo do 1 ponto percentual desde junho de 2021, quando a alta foi de 0,75 ponto percentual. O BC deixou aberta a possibilidade de segurar novos reajustes, o que não vai de encontro com as previsões do mercado financeiro.

Nicolas Borsoi acredita que o ciclo de altas da Selic deverá seguir até agosto, data da próxima reunião do Copom (dias 2 e 3), mas que tudo dependerá do Fed e do impacto do pacote para combustíveis na previsão da inflação em 2023.

"As próximas decisões dependerão, fundamentalmente, da interpretação de dois eventos pelo Copom: primeiro, o efeito do pacote de combustíveis sobre as projeções de inflação de 2023 e, segundo, se a maior agressividade do Fed na alta de juros muda a percepção do Copom sobre a taxa Selic terminal (que encerra o ciclo de alta)".

"Em minha avaliação, esses eventos e o ambiente inflacionário pressionado deveriam levar a uma postura conservadora do Copom, levando-o a estender o ciclo de altas até agosto, pelo menos. Independente da projeção sobre quando será o fim do ciclo, há maior previsibilidade de que a taxa Selic deve seguir elevadas um período prolongado. O cenário atual sugere que o Copom pode ter espaço para cortar a taxa Selic em 2023, mas que ela seguirá acima dos dois dígitos em 2023 também", explica.

** João Vitor Revedilho é jornalista, com especialidade em política e economia. Trabalhou na TV Clube, afiliada da Rede Bandeirantes em Ribeirão Preto (SP), e na CBN Ribeirão. Se formou em cursos ligado à Rádio e TV, Políticas Públicas e Jornalismo Investigativo.

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários